A Editora Landmark na Imprensa
"por PAULO BRIGUET No dia 31 de março de 1631, os sinos tocaram na Inglaterra anunciando a morte de John Donne, um dos maiores poetas e ensaístas da língua inglesa. Agora, pela primeira vez, o público brasileiro pode ter contato com a versão bilíngüe de uma das principais obras de Donne, Meditações. O lançamento da Editora Landmark – que tem se especializado em edições bilíngües – conta com tradução e notas de Fabio Cyrino. Em entrevista por telefone ao JL, Cyrino diz que o trabalho de transpor as palavras de Donne para a língua portuguesa foi desafiador por dois motivos. Em primeiro lugar, pelo estilo barroco do escritor, repleto de circunvoluções e dualismos. “Além disso, é preciso levar em conta que Donne escreveu num momento em que a língua inglesa ainda estava sendo moldada. Numa conversa com Vasco Graça Moura, que traduziu os sonetos de Shakespeare para a Landmark, ele me disse que 60% do vernáculo da língua inglesa foi criado por Shakespeare”, diz Fabio Cyrino. John Donne foi contemporâneo de Shakespeare e de outro grande poeta inglês, Ben Jonson, de quem foi amigo. O trecho mais conhecido da obra de Donne vem justamente das Meditações (que fazem parte de uma obra maior chamada Devoções para ocasiões emergentes). Na famosa passagem, Donne afirma: “A morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: Por quem os sinos dobram; eles dobram por vós”. O trecho é tão marcante e influente que se incorporou à fala cotidiana (mesmo de quem não conhece Donne e não lê inglês) e serviu de título ao grande romance do americano Ernest Hemingway (1889-1961) sobre a Guerra Civil Espanhola: Por quem os sinos dobram. Para o tradutor Fabio Cyrino, a obra e a personalidade de John Donne podem ser comparadas às de um grande poeta brasileiro, Gregório de Mattos (1623-1696). “Ambos viajaram muito, escreveram sobre temas universais, fizeram poesia erótica e religiosa, tiveram vidas desregradas e conheceram uma Europa em profunda transformação”, enumera. Na dedicatória das Meditações, John Donne diz ao príncipe Charles da Inglaterra ter passado por três nascimentos em uma só vida. O primeiro foi o natural. O segundo, depois da conversão ao anglicanismo. O terceiro, durante a enfermidade que o acometeu por volta de 1624. Durante essa doença – que ainda se discute qual teria sido – Donne escreveu os textos em prosa que compõem as Meditações. São reflexões sobre os temas essenciais da vida – amor, morte, Deus – por um autor de primeira grandeza. "

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