A Editora Landmark na Imprensa
"Não é amena a leitura de ""O Morro dos Ventos Uivantes"" (título original: Wuthering Heights), de Emily Brontë (1818-1848), mas justamente por isso, talvez, tenha fascinado tantas gerações. Em agosto de 2007, o jornal The Guardian divulgou uma pesquisa na qual essa obra, hoje, ocupa o primeiro lugar na preferência dos leitores ingleses, deixando em segundo plano clássicos como ""Romeu e Julieta"", de Shakespeare, e ""Orgulho e Preconceito"", de Jane Austen.

O crítico norte-americano Harold Bloom afirma que esse romance ""é uma grandiosidade solitária"". Solitária porque experiência única na literatura britânica, mas também por ter sido o único romance dessa autora, que o publicou sob o pseudônimo masculino Ellis Bell, dando margem a que alguns críticos da época imaginassem ter sido Branwell Brontë, seu irmão, o verdadeiro autor. Como poderia uma jovem e recatada mulher captar as paixões humanas (o amor enlouquecido, o desejo de vingança, o ódio extremo, o ciúme...) com tamanha profundidade, criar personagens tão assustadoramente vivos, diálogos tão cruéis e sarcásticos?

Demoníaco

Lançada em 1847, a obra foi recepcionada com reservas. Os primeiros críticos distinguiam no livro algo de demoníaco. Com o passar do tempo, porém, O Morro dos Ventos Uivantes conquistou uma legião de admiradores incondicionais, na Inglaterra e no mundo inteiro. Editores entusiasmados chegam a declarar que se trata do melhor livro já escrito por uma mulher.

A partir do século 20, intensificou-se sua presença inspiradora no cinema, no teatro, na TV e na música. Entre os cineastas que retomaram a perturbadora história, os mais conhecidos são William Wyler, com um filme de 1939, e Luis Buñuel, cuja versão melodramática e surrealista, Abismos de Pasión (1953), divulgou-se no Brasil com outro título: Escravos do Rancor. Além de várias adaptações para a ópera e para a TV, o romance ganhou uma versão musical popular, no final da década de 1970. A inglesa Kate Bush apresentou-se incontáveis vezes, cantando o refrão ""I""m coming home to wuthering, wuthering, Wuthering Heights"".

No Brasil

O livro de Brontë é bastante conhecido no Brasil. Em 1967, chegou a ser produzida uma telenovela, de Lauro César Muniz, pela TV Excelsior, com o mesmo título: O Morro dos Ventos Uivantes. Muitos escritores nossos fizeram da obra de Brontë um clássico pessoal. Clarice Lispector, escrevendo sobre si mesma, alude ao romance: ""À extremidade de mim estou eu. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo. Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama"". Lúcio Cardoso, apaixonado pela autora, traduziu poemas seus e os reuniu no livro O Vento da Noite. Hilda Hilst incluía o romance entre seus livros favoritos. Rachel de Queiroz confessava ter autêntica adoração por Brontë.

A propósito, Rachel de Queiroz assinou uma das traduções desse livro para o português. A curiosidade é que, quando o fez, em 1947 (José Olympio), traduziu o título no singular - O Morro do Vento Uivante. Na atual edição (Record, 2004), está no plural.

Foram publicadas, até hoje, pelo menos sete traduções diferentes! Depois do trabalho de Rachel de Queiroz, veio à luz, em 1948, por ocasião do centenário da morte da autora inglesa, a tradução de José Maria Machado (Círculo do Livro). Em 1971, a tradução do recifense Oscar Mendes (Abril Cultural). Em 1985, de Vera Pedroso (Art Editora). Em 1998, do prolífico David Jardim Júnior (Ediouro). Em 2003, de Renata Maria Parreira Cordeiro e Eliane Gurjão Silveira Alambert (Landy). E agora, em 2007, a edição bilíngüe de Ana Maria Oliveira Rosa e revisão de Carolina Caires Coelho (Landmark).

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