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"Pensamentos filosóficos

TIAGO ZANOLI - [email protected] redegazeta.com.br

Um dos principais representantes do romantismo britânico, Percy Bysshe Shelley (1792-1822) figura entre os maiores poetas de língua inglesa, como os seus contemporâneos John Keats e Lord Byron – dos quais foi amigo. Apesar de sua importância, Shelley é pouco conhecido no Brasil e quase não há traduções de sua obra.

Até o início deste ano, apenas dois trabalhos seus haviam sido lançados por editoras brasileiras: “O Triunfo da Vida”, último e inacabado poema de Shelley, publicado em edição bilíngüe pela Rocco, em 2001; e o ensaio “Uma Defesa da Poesia”, pela Iluminuras, em 2002.

Esse mesmo ensaio, ao lado de outros nove (até então inéditos por aqui), retornou às livrarias em nova edição bilíngüe, pela Landmark. “Uma Defesa da Poesia e Outros Ensaios” reúne textos que Shelley produziu entre 1811 e 1821. Os escritos, porém, só foram publicados 18 anos após sua morte, por sua esposa, Mary Shelley – autora do célebre “Frankenstein” (1818).

Parte dos textos levanta questões filosóficas, nas quais Shelley discorre sobre temas como o amor, a vida, a pena de morte, a moral e o ateísmo. Outros debatem acerca das artes, da literatura e, claro, da poesia.

REAÇÃO

O ensaio que dá título ao livro foi uma reação ao artigo “The Four Ages of Poetry” (1820), escrito em tom de sátira por seu amigo Thomas Love Peacock. Este desqualificou a função da poesia na sociedade e apontou os poetas contemporâneos como “semi-bárbaros numa era civilizada”.

Sentindo-se pessoalmente atingido pelo texto de Peacock, Percy Shelley escreveu “Uma Defesa da Poesia” entre fevereiro e março de 1821, a fim de publicar o ensaio no mesmo periódico em que saiu “The Four Ages of Poetry” – o que acabou não acontecendo. Apenas em 1840 o texto foi publicado, postumamente, pela viúva Mary Shelley, então responsável pela obra do marido.

Em sua defesa, Shelley argumenta, por exemplo, que os poetas são tão capazes de perceber e ensinar a verdade das coisas quanto aqueles que omitiram o emprego das formas poéticas. Para ele, Shakespeare, Dante e Milton “são filósofos do mais sublime poder”. E acrescenta: “Um poema é a própria imagem da vida, expressa em sua verdade eterna”.

O poema, segundo ele, está sempre acompanhado do prazer e “ergue o véu da beleza oculta do mundo”. “A poesia sempre transmite todo o prazer que os homens são capazes de receber; é sempre, ainda, o raio de vida; a fonte de tudo o que é belo ou generoso ou real que pode haver em tempos ruins”, escreve.

Dos dez ensaios que integram o presente volume, destaca-se também “A Necessidade do Ateísmo”, capítulo que encerra o livro, não somente por seu conteúdo, mas pelo contexto em que se insere. Esse tratado foi publicado anonimamente por Shelley, em 1811, quando era aluno da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Na época, ele enviou uma cópia desse escrito sobre o ateísmo em forma de panfleto a cada um dos diretores das faculdades de Oxford.

EXPULSÃO

O conteúdo chocou a administração da universidade. Em 25 de março de 1811, Shelley, junto com seu amigo Thomas Jefferson Hogg – colaborador do panfleto – acabou expulso da instituição por se recusar a negar a autoria do texto. Em 1813, o autor publicou uma versão revista e ampliada, na qual se baseia a tradução que consta nessa edição lançada pela Landmark.

Desafiador, Shelley escreve: “Deus é uma hipótese e, como tal, permanece na necessidade de prova: o ônus da prova permanece com os teístas.” Ele argumenta que “a superstição destrói a tudo e ergue-se como o tirano sobre a compreensão do homem”. Sendo assim, acrescenta o autor, o ateísmo “torna o homem mais esclarecido”.

Percy Shelley viveu seus últimos quatro anos na Itália. Morreu pouco antes de completar 30 anos. No dia 8 de julho de 1822, em companhia de um amigo, saiu em um pequeno barco para navegar nas águas do mar Lígure – parte do mar Mediterrâneo localizada entre a Riviera Italiana e as ilhas de Córsega e Elba. Lá, naufragou durante uma tormenta e afogou-se.

À época de sua morte, o jornal inglês “The Courier” chegou a comentar que, finalmente, Shelley poderia comprovar se Deus existia ou não. Em resposta ao periódico, Lord Byron endereçou uma correspondência ao editor, John Murray, dizendo: “Vocês estão completa e brutalmente enganados sobre Shelley, que foi sem exceção o melhor e menos egoísta dos homens que já conheci”."

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