A Editora Landmark na Imprensa
"Última obra publicada da autora inglesa Jane Austen (1775 — 1817), o romance ""Persuasão"" (Landmark, 240 páginas, R$ 33,50), que andava meio difícil de ser encontrado nas prateleiras do Brasil, tem agora nova edição. A nova tradução ficou a cargo de Fábio Cyrino, também diretor editorial da mesma Landmark que recentemente publicou uma versão nova de ""Orgulho e Preconceito"". Ambas as edições saindo em edição bilíngüe, justapondo a versão em português e o original da autora que é considerada uma das mais elegantes estetas da palavra em língua inglesa.

""Persuasão"" foi publicado apenas em 1818, um ano após a morte da escritora. Assim como em suas outras obras, ""Emma"", ""Razão e Sensibilidade"" e a que é hoje considerada sua obra-prima, a já mencionada ""Orgulho e Preconceito"", para citar apenas algumas, em certa medida ""Persuasão"" traz as características marcantes da obra de Jane: as protagonistas são mulheres da sociedade britânica do período, muitas vezes precisando optar entre um casamento de conveniência e uma paixão pouco recomendável por questões de fortuna ou de classe.

O texto sutil e leve da britânica também a tornou uma das autoras preferidas do cinema em tempos recentes. O próprio ""Persuasão"" ganhou uma versão recente, de 1997.

""As personagens de Jane Austen buscam o amor, o romance, não têm grandes compromissos. Mas é possível ver sob essa primeira camada de leitura o retrato de outros temas, como o choque da burguesia e da nobreza. Ela escreveu em um período de grandes transformações sociais na Inglaterra, passando pela migração rural para a grande cidade, o fim de uma nobreza aristocrática do campo"", comenta o tradutor Fábio Cyrino.

O enredo de ""Persuasão"" é em si mesmo um exemplo desse retrato sutil do período nas entrelinhas de uma história romântica. A protagonista, Anne Elliott, pertence a família nobre, porém financeiramente falida. Na juventude, apaixona-se por um capitão da marinha, Frederick Wentworth. Um homem sem berço mas com muita ambição, uma representação do burguês que se faz por si mesmo que tomava conta do cenário no período, em substituição à aristocracia já sem condições financeiras de manter por si própria seu ocioso padrão de vida. Ainda assim, a origem humilde do rapaz provoca a imediata desaprovação da família de Anne, que a força a interromper o romance. Anos depois – irreparavelmente solteira pela intransigência da família, ela reencontra seu antigo pretendente. Agora a situação de sua família arrivista está nas mãos de um curador, Admiral Croft, que vem a ser o cunhado de Wentworth, agora promovido e em boa situação financeira devido a seus feitos na guerra contra Napoleão. A ciranda de relações entre os personagens não termina aí. Wentworth agora está cortejando uma vizinha dos Elliott.

Em termos estilísticos, contudo, ""Persuasão"" não é nem de longe o melhor trabalho de Jane Austen. Era bastante conhecido seu obsessivo hábito de voltar diversas vezes ao manuscrito, retrabalhando não apenas a linguagem mas as cenas, a estrutura mesma do romance. Foi algo que ela não teve tempo de fazer com Persuasão, obra póstuma, publicada em 1817, no ano posterior a sua morte. "

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