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"Escrito em 1886 pelo escocês Robert Louis Stevenson, O Estranho Caso do Dr. Jekyll e do Senhor Hyde (Landmark, 112 págs, R$ 24 em média) é a história de Utterson, um advogado que acompanha os horrores acontecidos em Londres no final do século XIX por um misterioso homem que comete crimes e provoca a polícia metropolitana. O clima sombrio da capital inglesa contorna a história e dá o tom de mistério, pois mesmo durante o dia, a nevoa deixa a cidade escura, transformando os transeuntes em vultos.

O contexto histórico do país também é transcrito na trama: avanço nas pesquisas e experimentos científicos, êxodo rural devido a Revolução Industrial que ali se instalara, contraste econômico, centro urbano em estado de caos, fumaça, poluição e aumento dos índices criminais, motivo pelo qual em 1829 foi criada a Scotland Yard, considerado por muitos, sua primeira citação na literatura. Pode-se afirmar que em meio a esta conjuntura, o lado tenebroso da sociedade vitoriana e a dualidade do homem foram discutidas nesta obra prima de Stevenson, que agora com nova tradução e em edição bilíngüe.

Contemporâneo do assassino em série Jack, o Estripador e de Mary Shelley, autora de Frankenstein e O Último Homem, a dualidade do Dr. Jekyll e Mr. Hyde influenciaram grandes produções, seja nos quadrinhos, por meio da Marvel Comics, na pele do Homem-Aranha e do O Incrível Hulk.

As releituras Mary Reilly (1996) com Julia Roberts e John Malkovich, O Professor Aloprado (1963) de Jerry Lewis e seu remake em 1996, com Eddie Murphy ea animação O Coelho e o Monstro, do Pernalonga (Bugs Bunny) da série Looney Tunes fizeram bastante sucesso levando às telas a mesma temática de Stevenson sob um novo olhar. No Brasil, o grupo Os Trapalhões, em pleno auge e com sua formação completa, lançou o filme O Incrível Monstro Trapalhão, em 1980, uma paródia à obra escocesa e aos super-heróis de histórias em quadrinhos.

Quando vivo, o autor foi uma celebridade, mas a partir da literatura moderna, Stevenson passou a ser visto como um escritor de segunda classe, limitado aos gêneros infantis e de terror. Não foi mencionado no Oxford Anthology of English Literature, em 1973, tão pouco no Norton Anthology of English Literature, de 1968 a 2000. Hoje Stevenson foi reavaliado e teve sua importância reconhecida como escritor, crítico e ensaísta. Ele é tido como inspirador de Joseph Conrad e Henry James, que realizou amplos estudos acadêmicos sobre sua obra. Stevenson permanece popular por todo o mundo, sendo um dos autores mais lidos e traduzidos segundo o Índex Translationum, organizado pela Unesco, à frente de Oscar Wilde, Charles Dickens e Edgard Allan Poe."

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