A Editora Landmark na Imprensa
"Os pesquisadores maçons Christopher Knight e Romert Lomas realizaram o que chamaram de um trabalho de recuperação da história, não apenas da Maçonaria, mas de toda a cultura ocidental, por Gilberto Schoereder

Na introdução do livro A Chave de Hiram, de Christopher Knight e Robert Lomas, o tradutor e responsável pelas notas, Zé Rodrix, diz que o trabalho dos dois pesquisadores ingleses traz um enorme cabedal de fatos indiscutíveis que recolocam em seu verdadeiro papel a Maçonaria mundial. E não se trata de um exagero. O livro aborda praticamente todas as principais questões envolvendo a história dos povos do Oriente Médio e Egito, com embasamento histórico científico e muita seriedade.

Zé Rodrix diz ainda mais, que ""[...] a obra dá à Ordem maçônica a devida importância não apenas quanto à sua participação em fatos históricos muito antigos, mas também estabelecendo de forma concreta os motivos pelos quais seus inimigos mais constantes ainda persistem em tratá-la (e a nós, seus membros), como se fôssemos o próprio Satanás em pessoa, de maneira pouquíssimo racional, e que agora, graças a essa obra, pode ser compreendida sem que restem mais dúvidas"".

Os autores disseram que o ponto de partida para a pesquisa que resultou nessa obra, foi a tentativa de encontrar as origens da Maçonaria. No centro das lendas maçônicas, há um personagem chamado Hiram Abiff, que teria sido assassinado há mais de dois mil anos, durante a construção do Templo de Salomão.

""Assim que Hiram Abiff se ergueu do passado distante"", escreveram os autores, ""nos brindou com nada menos que uma nova chave para a História ocidental. As contorções intelectuais e as elaboradas conclusões que previamente formaram a visão coletiva que a sociedade ocidental tem de seu passado deram lugar a uma ordem simples e lógica"". Suas pesquisas, portanto, levaram-nos à reconstrução de um ritual com mais de quatro mil anos de idade, que o Egito usava para a feitura de seus reis. ""[...] isso nos levou a desvendar um assassinato que ocorreu por volta de 1570 a.C., o que deu partida à cerimônia de ressurreição, que é a antecedente direta da moderna Maçonaria"".

O que eles propõem, e apresentam provas, é que, ao contrário do que se acredita hoje em dia, o mundo ocidental na verdade se desenvolveu de acordo com uma filosofia muito antiga.

Para saber um pouco mais sobre o assunto, conversamos com Robert Lomas, que atualmente leciona na Universidade de Bradford, Inglaterra.

1 – Quem foi Hiram Abiff? Qual a sua relação com o Templo de Salomão? Hiram Abif é um personagem mítico da maçonaria, que foi designado pelo rei Salomão, de Israel, e pelo rei Hiram, de Tiro, para ser o arquiteto do Templo Real de Salomão. Ele tinha quase terminado o trabalho quando foi morto por três de seus trabalhadores, em uma tentativa de arrancar dele os segredos de um mestre maçônico.

2 – No livro A Chave de Hiram (The Hiram Key), os senhores levantam questões que seguem até a formação do império egípcio. Como se deu a descoberta de tais conexões? Deu-se pelo cruzamento de uma grande variedade de material histórico, bíblico e maçom. Nós examinamos a maior quantidade possível de fontes para ver em que elas concordavam e diferiam, e usamos as áreas nas quais havia convergência para construir uma hipótese sobre aquilo que os mitos maçônicos podiam estar tentando registrar.

3 – Qual a relação entre o mito de Hiram e a figura de Jesus Cristo? O mito de Hiram é baseado no mito egípcio de Osíris, e é muito mais antigo do que a história cristã. O enfoque judaico surge da crença, vinda da tradição de Enoque, de que grandes líderes despontariam quando Shekinah – uma brilhante estrela que se ergueria logo após o Sol – fosse vista no céu oriental. Descobrimos (conforme descrito em nosso novo livro, The Book of Hiram) que essa estrela matutina é um alinhamento de Mercúrio e Vênus que ocorre a cada 480 anos. A estrela foi avistada dos edifícios do Templo de Salomão e do Templo de Zerubbabel, e do nascedouro de Jesus. Ela foi encarada como um sinal divino de que Jesus seria o novo líder que restabeleceria o poderio militar de Israel. Depois da morte de Cristo, Paulo somou essa história à crença mitraica romana (crença numa divindade da vegetação que morre e renasce), e formou a base do credo cristão. Diferentemente de Jesus, Hiram Abif morre e permanece morto.

4 – Quais evidências físicas e históricas podem colaborar para definir quem foi verdadeiramente Hiram Abiff? Eu não creio que Hiram Abif tenha sido um personagem real. Acredito que ele foi um herói mítico cuja história retrata as forças e as virtudes que a maçonaria procura ensinar. Ele era honrado, destemido, trabalhador esforçado, artesão soberbo, justo e caridoso – todas as virtudes a que um maçom deve aspirar.

5 – Existe alguma ligação entre os Manuscritos do Mar Morto e as suas descobertas? Os Manuscritos do Mar Morto, em especial, falam de muitos pergaminhos importantes e tesouros do templo que foram armazenados em câmaras sob o Templo de Herodes. Nenhum desses itens foi encontrado, mas uma expedição conduzida pelo Capitão Warren no século 19 descobriu relíquias dos cavaleiros templários em algumas das áreas onde, supostamente, estariam armazenados os pergaminhos judaicos. Chris e eu defendemos fortemente (apoiados pelo professor Jim Charlesworth, da Universidade de Princeton) que esses pergaminhos foram levados à Escócia pelos templários, em 1126, e que a Capela de Rosslyn foi construída para armazenar os documentos em segurança, em 1460. Os ensinamentos dos pergaminhos foram incorporados aos mitos da maçonaria.

6 – Na história de Hiram Abiff, como se desenvolve o papel da maçonaria? Nós contamos toda a história do mito maçônico na segunda parte de nosso livro mais recente, The Book of Hiram. Lá é traçada toda a história da maçonaria; desde a criação de Adão, passando pelo Templo de Enoque, Templo de Salomão, Templo de Zerabbabel e Templo de Herodes, até os Cavaleiros Templários e os Cavaleiros de Malta. Nós chamamos o mito recriado de Testamento Maçônico. Os rituais usados em sua criação podem ser encontrados no website que criei para armazená-los, na Universidade de Bradford, no endereço www.bradford.ac.uk/webofhiram/

7 – No livro, os senhores também se referem à América, levantando a hipótese de que a terra maravilhosa chamada Merica poderia ser a própria América, ""descoberta"" mais tarde. De quando data esse nome e as lendas sobre essa terra? A terra a oeste, conhecida como Merica, aparece em mitos judaicos mais antigos, e remontam ao tempo dos fenícios (lembremos que o rei Hiram de Tiro era fenício e é uma figura muito importante no mito maçônico).

8 – Os senhores chegaram a dizer, ao se referirem à América, que pode parecer uma digressão sem sentido numa pesquisa sobre Jerusalém, e eu gostaria de acrescentar mais uma digressão. No Brasil, pesquisadores como Peregrino Vidal (falecido em 1968), Bernardo de Azevedo da Silva Ramos (1858-1931) e o austríaco radicado no Brasil, Ludwig Schwenhaggen (também falecido), abordam a possível presença de fenícios e sumérios no Brasil, milhares de anos antes de Cristo. Os sinais de sua presença estão, dizem, gravados em pedras por todo o território brasileiro e Silva Ramos chegou a publicar um livro com uma extensa coleção desses sinais ou letras. Nas histórias que se ouvem a esse respeito, frequentemente surge o nome de Hiram, rei de Tiro, e de seu filho. O primeiro teria financiado expedições para cá, e seu filho teria vindo pessoalmente. Mais que isso, já se disse que as verdadeiras minas do rei Salomão seriam na América, ou Mérica. O que os senhores podem falar sobre isso? Alex, existe a grafia Merica e Mérica. Qual delas devemos adotar? Uma outra coisa: a pergunta está longa demais para uma resposta um tanto curta. Não diminuí a extensão da pergunta, mas fica aqui a sugestão. Em The Book of Hiram – que foi publicado no Reino Unido no começo do ano – nós traçamos a extensão da rede fenícia de comércio e, pessoalmente, penso que a tecnologia marítima dos fenícios era perfeitamente suficiente para eles velejarem até a América do Sul. Isso também poderia explicar a cocaína descoberta em múmias egípcias do período, mostrando que alguém comerciava com a América. O único povo com capacitação para construir e navegar barcos eram os fenícios "

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