A Editora Landmark na Imprensa
"Uma luxuosa edição bilíngue (Inglês/Português) traz de volta um clássico do Romantismo americano

A narrativa tem como elemento-chave a peleja entre o homem e a natureza, tomada sob a forma de uma alegoria

O narrador desta trama se chama Ismael. Trata-se de um jovem entregue a constantes aventuras e que acumula experiências na marinha mercante. Impelido, sobretudo, por problemas financeiros, ele decide, de novo, singrar os mares a borde de um navio utilizado para caça às baleias, atividade econômica que, àquela época, alcançara o ápice no mercado e enriquecera muitos que se dedicaram à crueza desse negócio. A fábula, portanto, terá, em muitos momentos, o espaço do navio ""Pequod"".

Recursos expressivos

Um dos elementos de construção que se destacam nessa obra são os momentos descritivos, de que se evolam cores nítidas e que também se entrelaçam às reflexões do narrador: ""O mar não é apenas inimigo do homem, um ser estranho a ele, é também inimigo de seus próprios filhos, é pior que um anfitrião persa que assassinou seus convidados, não poupando as próprias criaturas que ele gerara.

Como uma tigresa selvagem que se agitando na selva mata sua própria cria, o mar arremessa as mais poderosas baleias contra as rochas e ali as esquece com os destroços dos navios naufragados. Nenhuma compaixão, nenhum poder o controla, o oceano é autossuficiente. Ofegando e urrando como um enlouquecido corcel de batalha que perdeu seu cavaleiro, o mar indomado domina o globo"". A presença constante das comparações decorre da natureza do estilo em que se insere.

O estilo de época

A estética romântica pode assim ser sintetizada: subjetivismo, individualismo e egocentrismo, - fruto da noção de liberdade do ser que ganhou ares com a Revolução Francesa. Desse modo, a arte romântica é a expressão do sentimento, da emoção, da imaginação, das atitudes individuais: a liberdade criação propicia ao artista uma amplitude temática jamais experimentada. Por conta disso, um tom emotivo, de tendência declamatória, invade a narrativa.

Tudo se converte em emoção, em profundas sensações anímicas: ""Sob um sol mortiço, flutuando o dia todo sobre vagas mansas e lentas, sentados em um bote leve como uma canoa de bétula, misturando-se socialmente às próprias ondas suaves que, como gatos domésticos diante de uma lareira, ronronavam junto às amuradas, nessas horas de quietude sonhadora, ao contemplar a tranquila beleza e o brilho da superfície do oceano esquecemos o coração de tigre que pulsa sob ele e não desejamos nos lembrar de que esse manto de veludo oculta presas implacáveis"". E isto é uma recorrência no romance.

Como uma decorrência desse modo de ver mundo e, então, representa-lo, percebe-se que, constantemente, a prosa toca o poético, em belas construções. Sendo uma narrativa de ação que, à semelhança de muitos outros romances do século XIX, foi escrita para ser publica em fascículos, Moby Dick traz em seu bojo elementos indispensáveis aos folhetins: recuperação de cenas para melhor compreensão do leitor, suspense e mistério ao final de determinados capítulos, dispersão de acontecimentos e o recolhimento destes para a configuração da trama. O centro da história reside no confronto entre o homem e a natureza. A mistura de nacionalidades que advém da tripulação do navio funciona como um índice do universalismo que envolve o romance. O comandante navio Pequod, por exemplo, é o misterioso capitão Ahab, que teve uma das pernas decepadas por uma baleia. E as baleias, ferindo e sendo feridas, constituem, assim, uma alegoria em torno da condição humana.

Por Carlos Augusto Viana, Editor"

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