A Editora Landmark na Imprensa
"A ponte entre os elementos do profano e sagrado

O espaço e o tempo deste romance estão bem delimitados: A França medieval do século XIII; o que move a trama é a construção de uma catedral

O mergulho na História, em busca de acontecimentos remotos, mas bem vivos em nossa contemporaneidade, em especial os que envolvem as forças do bem e do mal que, constantemente, estão se digladiando, constitui uma forte tendência da literatura pós-moderna. Nesse sentido, proliferam-se as narrativas em que o registro de acontecimentos históricos e a imaginação se entrelaçam, implicando, assim, um todo indivisível. Indo em direção a um passado distante, é possível deparar o perene humano no drama da existência, bem como recuperar eternos e fortes motivos por que se movem as pessoas ao longo dos tempos.

Trata-se de uma narrativa ambientada na cidade de Remis, na França medieval, e a trama envolve a construção de uma catedral - a morada de Deus na Terra

A abertura

Na cena inicial, o narrador, como se utilizasse uma câmara de filmagem, num entrecortar de planos, a partir da apreensão de detalhes, conduz o leitor a uma ""velha e asquerosa cervejaria"", à beira da noite, onde os poucos frequentadores ""esforçavam-se para entender o que se passava naquela mesa aos fundos, à direita, pois a minguada luz de uma lanterna de azeite, pendurada na parede de madeira escura e engordurada, tentava, em vão, afastar as sombras e a penumbra que recobriam os quatro homens que lá estavam desde há muitas horas"". A força descritiva do autor e sua capacidade de sugestão captam a cor local do cenário, seus odores e sabores, pondo também em relevo a presença do grotesco: ""Ele, já de tão embriagado, mal conseguia deglutir aquele líquido fétido cuspindo-o em cima da mesma e sobre si próprio intensificando a sordidez daquela cena deplorável"". Lá fora, invade o ar o odor de carne putrefata de algum animal em decomposição.

Recursos expressivos

O ponto de vista que conduz a narrativa é o de terceira pessoa; apresenta-se, pois, um narrador onisciente e onipresente, a conhecer tudo acerca das personagens - seus atos, seus pensamentos, seus projetos, com destaque para o emprego do discurso indireto-livre, ocasião em que a voz do narrador (o foco) se mistura com o pensamento da personagem (o discurso), descortinando a sua intimidade: ""Thomas, ao ver seus amigos partirem, refletiu sobre as palavras de Jeremiah. O que o franciscano estava tentando dizer? Poucos minutos depois, os pensamentos de Thomas foram interrompidos, pois fora chamado para dar continuidade às obras da capela. Para um maior dinamismo na documentação das ações, o autor intercala à narração o discurso direto; este, por sua vez, é muito bem dosado, pois as personagens falam tão somente o necessário ao desenvolvimento do enredo.

A trama

Na cidade real de Remis, artesãos e artistas livres, ergue-se um dos maiores templos da cristandade; esta narrativa é a história dessa construção e das pessoas que dela participaram; são pedreiros, são pintores, são escultores, todos lançam a alma no sentido da reverência ao sagrado. A Igreja Católica é um grande e seguro porto para uns; para outros, um fértil oásis. A fé rege o cotidiano, e as doenças, as catástrofes são compreendidas como manifestações de Deus contra o pecado e a vileza humana. Inúmeras são as guerras; famílias inteiras padecem de pestes; uns são devorados pela bubônica; outros, pela lepra; as cruzadas causaram solidão e tristeza; muitos deixaram suas casas, dirigiram-se a terras longínquas e aos lares jamais voltaram. É nesse quadro que as personagens vivem suas experiências, sonhos e também desilusões.

Considerações finais

Toda a atmosfera do mundo medieval é aqui recuperada. Não falta sequer o pavor provocado pelo anúncio de que o Tribunal da Santa Inquisição será instalado na cidade de Remis, pondo em polvorosa prostitutas, praticantes de sodomia, promíscuos, adúlteros e ciganos. O autor, com riqueza de detalhes, descreve a chegada do grande séquito nas estreitas ruas da cidade, empilhada de temerosos.

Por CARLOS AUGUSTO VIANA, EDITOR"

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