A Editora Landmark na Imprensa
"Livro profetiza nova era de Hollywood

Romance que F. Scott Fitzgerald publicou em 1925, com o tempo converteu-se numa referência da literatura norte-americana

Não há nada mais encorajador do que ver a justiça histórica e poética atuando de comum acordo. O Grande Gatsby, romance que F. Scott Fitzgerald publicou em 1925, com o tempo converteu-se numa referência da literatura norte-americana (e, por extensão, universal), alojou-se nas profundezas do subconsciente coletivo e sempre contou com o apoio do público. Prova disto é o fato de que a cada dezena de anos a obra é ressuscitada na forma de adaptações cinematográficas: foi o que ocorreu em 1926, em 1949, 1974 e agora. Esta última versão, dirigida por Baz Luhrmann e estrelada por Leonardo DiCaprio, coincide com a milagrosa publicação no Brasil de novas edições do romance: da Landmark, Penguin/Companhia das Letras, Tordesilhas, Leya, Geração e L&PM. Quando vimos um fenômeno literário tão excepcional?

A sedução exercida pelo Grande Gatsby tem relação direta com uma história que se desenvolve num ritmo expositivo perfeito e uma economia moderada de recursos expressivos. Nada sobra e nada atrapalha numa arquitetura de linhas simples e claras que, inexorável em sua marcha e consciente das suas íntimas convicções, recusa-se a fazer concessões ou atenuar suas exigências. Ao empregar o tom de confissão pessoal que se estende de maneira envolvente ao logo de todas as suas páginas, e ao esboçar, a partir dali, de forma centrípeta, e passo a passo, a figura do protagonista, o livro convida o leitor a entrar numa dimensão da realidade que se instala com veemência dentro de si: a dimensão de um mundo complexo, organizado segundo regras próprias e por ele criadas, que todo bom romance traz consigo.

Assim, e graças a isso, o vínculo intenso que o leitor estabelece com o texto em mãos chega a parecer um êxito pessoal bastante satisfatório. Além do que, o fato de O Grande Gatsby ser um romance em que o autor não julga os seus personagens, mas os compreende, é uma atitude cortês que contribui para saltarmos por cima desse atoleiro moral em que muitas obras ficam encalhadas: o fato disso ocorrer sem que o processo degenere num critério explícito é uma cortesia do autor que o leitor entende e agradece. Há mais um aspecto que contribui para ele conquistar a confiança e o beneplácito do leitor: o livro nos oferece a possibilidade de observar secretamente a vida privada de uma(s) pessoa(s) e, ao mesmo tempo, explorar os recantos sombrios de uma paisagem panorâmica geral.

O Grande Gatsby foi escrito num momento crucial da história dos Estados Unidos: na época em que se abria o caminho que conduziria à Grande Depressão, cataclismo econômico e social que, visto retrospectivamente, permite traçar um paralelo claro com os tempos atuais. Foi uma crise nacional (e também internacional) que, entre os escritores e intelectuais, provocou uma exacerbação compulsiva de sentimentos de compaixão, levando muitos a transformar a literatura numa forma de ativismo. O próprio Scott Fitzgerald sofreria na época, perto dos 30 anos, uma depressão aguda.

Contudo, esse episódio funesto dos Estados Unidos levou, há exatamente 80 anos, em 1933, ao nascimento de uma nova era baseada nas impetuosas terras de Hollywood e que seria antecipada pelo Grande Gatsby fazendo alguma menção a respeito em suas páginas mais proféticas. A era em que os filmes passaram a ser sonoros, o chamado Star-Sistem (método de criar, promover e explorar astros e estrelas de filmes, bastante utilizado por Hollywood nos seus primórdios) seria impulsionado, a autocensura nos grandes estúdios encorajada, é criado o código Hays, os primeiros cinemas ao ar livre são inaugurados e seriam produzidos filmes que se tornariam famosos, como Rainha Cristina, King Kong, Jantar às Oito e Santa Não Sou. Dois fatos decisivos num futuro próximo marcariam também este momento: Hitler seria nomeado chanceler e Franklin Delano Roosevelt assumiria a presidência do que ainda não havia sido batizado por um francês de república imperial.

Por Danubio Torres Fierro, especial para o ESTADO

Tradução Terezinha Martino"

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