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"Personagens revividos

Figuras consagradas na literatura são resgatadas por outros escritores que criam outras narrativas para elas.

Nem sempre a história de um personagem termina no ponto final de um livro. Algumas figuras são tão marcantes que outros autores acham válido resgatá-las em novas narrativas. Se as narrativas e personagens, depois do livro publicado, pertencem ao imaginário do leitor atento, ele acaba recriando aventuras e revivendo memórias das figuras das obras preferidas.

Por esse imaginário, e pela liberdade criativa, os personagens ressurgem pelas mãos de outros autores, que são, antes de tudo, leitores sagazes. Um caso polêmico e de referência diz respeito ao Livro apócrifo de Dom Quixote de la Mancha, assinado por Alonso Fernandez de Acallaneda – cuja identidade é motivo de discussão entre estudiosos. Enquanto Miguel de Cervantes, criador do tresloucado fidalgo que sonhava e, reencarnar o espírito dos antigos cavaleiros andantes, refugava em escrever a continuação da história, Avallaneda publicou por conta própria a Segunda parte do engenhoso cavaleiro Dom Quixote de la Mancha, em 1614. Porém, esse não é o único caso. Entre os escritores modernos, o argentino Jorge Luiz Borges escreveu narrativas para personagens de Franz Kafka, Willian Shakespeare e do próprio Cervantes, a quem admirava especialmente entre os autores espanhóis. “Comecei a escrever quando tinha 6 ou 7 anos. Tentei imitar os clássicos espanhóis – Miguel de Cervantes, por exemplo (...) Minha primeira história foi um romance sem sentido à maneira de Cervantes, um romance à moda antiga, chamado La visera fatal”, confessou Borges em Elogio da sombra – um ensaio autobiográfico. O autor argentino escreveu ensaios a respeito de obras e escritores que se transformaram em contos modernos envolvendo os personagens em narrativas novas, onde tentou criar reações para eles, como fez nas Parábolas de Cervantes e Quixote, em que acaba justificando, de certa maneira, a releitura amparada pelos realces de imaginação que a literatura causa. “Porque no princípio da literatura está o mito e inclusive no fim”.

Outro exemplo é encontrado no romance Elizabeth Costello, de J.M. Coetzee. A escritora e personagem central é ser “secretária do invisível”, ao dar voz aos personagens, e recria histórias para Molly Bloom, personagem criada por James Joyce em Ulysses. A influência de cânones literários também levou autores a se transformarem em personagens, em algumas obras. Em A Divina Comédia, do italiano Dante Alighieri, por exemplo, quem guia o narrador ao inferno é Virgílio, poeta romano autor de Eneida.

A Divina Comédia

Dante Alighieri. Tradução: Vasco Graça Moura.

Landmark, 894 páginas. R$88.

“Então, és tu Virgílio, aquela fonte/ Que expande de eloquência um largo rio?/ Perguntei-lhe, baixando humilde a fronte”

Por Vanessa Aquino"

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