A Editora Landmark na Imprensa
"""Da Terra à Lua"", de Júlio Verne, ganha edição bilíngue

Editora Landmark lança a obra com ilustrações originais da 1ª edição: confira um trecho do livro

Jules-Gabriel Verne, ou Júlio Verne - nascido em 8 de fevereiro de 1828 na cidade francesa de Nantes e morto em 24 de março de 1905, em Amiens -, teve sua primeira grande novela de sucesso publicada em 1862 (""Cinco Semanas em um Balão""). Ele se associou ao experiente editor Pierre-Jules Hetzel (1814-1886), que trabalhava com grandes nomes da época, como Alfred de Brehat, Victor Hugo, George Sand e Erckmann-Chatrian. Desde então, o escritor francês, autor dos clássicos ""Vinte Mil Léguas Submarinas"" (1870) e ""A Volta ao Mundo em Oitenta Dias"" (1872) é considerado por críticos literários o precursor do gênero de ficção científica.

Algo inegável, já que Verne, ainda no século 19, fez predições em seus livros sobre o aparecimento de novos avanços científicos, como submarinos, máquinas voadoras e viagens à Lua. Esse último tema, totalmente irreal para a época, esteve presente em suas obras desde o começo, algo iniciado em 1865 com ""Da Terra à Lua"", um dos marcos da bibliografia do francês. A obra, escrita e publicada logo após o incomparável ""Viagem ao Centro da Terra"" (1864), apresenta, em uma combinação perfeita, dados cuidadosamente preparados sobre astronomia, mecânica, geografia, química e física. Um clássico que retorna às livrarias em uma bela edição bilíngue em português-francês pela editora Landmark, com ilustrações originais da primeira edição.

Presságio

Com uma narrativa sempre otimista com a ciência, deixando claro a sua crença no progresso da humanidade, Verne, que sempre partiu do princípio de que o homem tem capacidade para fazer o impossível, escolheu os Estados Unidos para apresentar essas características em ""Da Terra à Lua"". Apesar do protagonista ser o francês Michel Ardan, o escritor considerava que a predisposição e imaginação dos norte-americanos à liberdade eram mais acentuadas, tornando o país ideal para o desenvolvimento da aventura. Ou seja, um presságio certeiro.

A obra conta a saga do Clube do Canhão, uma organização especializada em armas de fogo que, instigada por Ardan, procura formas de construir um enorme canhão para arremessar um projétil de forma cilindro-cônica à Lua. A bala, como os três membros que embarcam na aventura chamam o objeto, funciona, mas quando ela se aproxima do destino, em vez de pousar, entra em órbita. Só há mantimentos para três meses e eles não têm ideia do que fazer.

Curiosidade

Entre as curiosidades do livro estão algumas comparações com a primeira ida real do homem à Lua, como a descrição do módulo com três astronautas e o local de partida da nave em Tampa, nos EUA, que fica a apenas 30 quilômetros de distância de onde realmente saiu a Apollo 11, cerca de cem anos depois. Outro fato curioso é que o futuro dos três astronautas de Da Terra à Lua é revelado apenas em outra obra de Verne, À Roda da Lua (1869), mas isso nada mais é do que uma ótima oportunidade de o leitor continuar embarcado no universo desse brilhante escritor.

Trecho de Da Terra à Lua - Júlio Verne (cap. 2, pág 27)

- Bravos colegas, não há nenhum dentre os senhores que não tenha visto a Lua, ou ao menos ouvido falar dela. Não se espantem pelo fato de eu falar aqui sobre o astro das noites. Talvez estejamos fadados a ser Colombos desse mundo desconhecido. Compreendam, coloquem à minha disposição todo seu poder e eu os conduzirei à sua conquista, e seu nome estará ao lado dos 36 Estados que formam este grande país de União!

- Hurra para a Lua! Exclamou todo o Clube do Canhão a uma só voz.

- Estudamos bastante a Lua, continuou Barbicane; sua massa, densidade, peso, volume, constituição, movimentos, distância e papel no mundo solar estão perfeitamente determinados; traçamos mapas selenográficos[4] com uma precisão que se iguala, ou talvez supere a dos mapas terrestres; a fotografia deu provas de que nosso satélite possui uma beleza incomparável[5]. Em suma, sabemos tudo que as ciências matemáticas, a astronomia e a geologia poderiam nos ensinar, mas até agora ninguém jamais estabeleceu comunicação direta com ela.

- Permitam-me lembrar-lhes em algumas palavras como certos espíritos ardentes, embarcados em viagens imaginárias, pretenderam ter penetrado os segredos de nosso satélite, continuou ele. No século XVII, certo David Fabricius se vangloriou de ter visto os habitantes da Lua com os próprios olhos. Em 1649, um francês, Jean Baudoin, publicou As Viagens à Lua feitas por Dominique Gonzales, aventureiro espanhol. Na mesma época, Cyrano de Bergerac publicou essa expedição célebre que fez tanto sucesso na França. Mais tarde, outro francês - essas pessoas se ocupavam bastante da Lua - chamado Fontenelle escreveu A pluralidade dos mundos, obra-prima em seu tempo. Mas ao caminhar, a ciência esmaga até as obras-primas! Por volta de 1835, um opúsculo traduzido do New York American narra que Sir John Herschell, enviado ao Cabo da Boa Esperança para ali realizar estudos astronômicos, usando um telescópio aperfeiçoado com iluminação interior, conseguiu ver a Lua a uma distância aparente de oitenta jardas. Ele então viu distintamente as cavernas onde vivam hipopótamos, verdes montanhas franjadas de rendas de ouro, carneiros com chifres de marfim, cabritos brancos e habitantes com asas membranosas como as dos morcegos. Essa obra de um americano chamado Locke teve grande sucesso. Mas logo reconheceram que era uma mistificação científica e os franceses foram os primeiros a rir dele. "

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