{"id":1000,"date":"2022-02-14T10:50:50","date_gmt":"2022-02-14T13:50:50","guid":{"rendered":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/?p=1000"},"modified":"2022-02-14T10:50:50","modified_gmt":"2022-02-14T13:50:50","slug":"25-09-2010-sonetos-completos-de-william-shakespeare-no-jornal-pioneiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/2022\/02\/14\/25-09-2010-sonetos-completos-de-william-shakespeare-no-jornal-pioneiro\/","title":{"rendered":"25\/09\/2010 &#8211; SONETOS COMPLETOS DE WILLIAM SHAKESPEARE NO JORNAL PIONEIRO"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;&#8221;&#8221;Sonetos Completos de William Shakespeare&#8221;&#8221;, edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue publicada pela Editora Landmark, em tradu\u00e7\u00e3o do poeta Vasco Gra\u00e7a Moura, selecionado como uma das tradu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis em l\u00edngua portuguesa na reportagem &#8220;&#8221;Shakespeare Interativo&#8221;&#8221;<\/p>\n<p>Obra rec\u00e9m-lan\u00e7ada convida o leitor a se aventurar na tradu\u00e7\u00e3o do rico vocabul\u00e1rio dos sonetos do brit\u00e2nico<\/p>\n<p>Porto Alegre \u2013 Vamos come\u00e7ar tirando de vez do caminho a frase que todo texto acerca de tradu\u00e7\u00e3o se v\u00ea quase constrangido a usar: sim, \u201co tradutor \u00e9 um traidor\u201d, verter uma obra art\u00edstica para outro idioma \u00e9 sim trair um ou mais de seus ricos elementos: o ritmo, o sentido, a polissemia, a rima, algo vai ser negligenciado, ainda mais em se tratando de Shakespeare. Traduzir \u00e9 trair, mas a pr\u00f3pria proposta de Sonetos de Shakespeare (Objetiva, 124 p\u00e1ginas) \u00e9 reunir no mesmo volume tanto os que pulam a cerca na maior discri\u00e7\u00e3o quanto os que v\u00e3o passear no brique de m\u00e3os dadas com a filial.<\/p>\n<p>Sonetos de Shakespeare carnavaliza a obra do bardo para tirar dela certa aura poeirenta do monumento liter\u00e1rio que ela n\u00e3o deixa de ser \u2013 embora n\u00e3o seja s\u00f3 isso. Primeiro, temos o soneto original, no ingl\u00eas elizabetano que \u00e0s vezes representa dificuldade mesmo para os falantes contempor\u00e2neos do idioma. Depois, as tradu\u00e7\u00f5es perpetradas pelos convidados de Jorge Furtado \u2013 a lista mistura amigos, atores, colegas e escritores com quem Furtado j\u00e1 trabalhou e tradutores conceituados de Shakespeare como Beatriz Vi\u00e9gas-Farias e Ivo Barroso. Entre uma coisa e outra, uma p\u00e1gina com linhas em branco para que o leitor tamb\u00e9m se aventure no que Furtado define como um passatempo mais divertido que o sudoku.<\/p>\n<p>Barroso, especialista na tradu\u00e7\u00e3o dos sonetos shakespeareanos, traduz o de n\u00ba 77, e \u00e9 de sutileza \u00edmpar ao buscar as equival\u00eancias no portugu\u00eas dos recursos po\u00e9ticos do original, como transformar \u201cthe surly sullen bell\u201d (algo como \u201co sino rude e mal-humorado\u201d) em \u201csurdo sino\u201d. O mesmo soneto tamb\u00e9m \u00e9 traduzido pelo ator Wagner Moura, que, pouco dotado para preservar a musicalidade do poema, prioriza solu\u00e7\u00f5es mais fi\u00e9is ao sentido geral do verso, e faz de \u201cWhen I, perhaps, compounded am with clay\u201d, \u201cQuando eu, quem sabe j\u00e1 lama for\u201d (Barroso traduz o mesmo trecho como \u201cQuando for minha carne consumida\u201d). Ah, sim, e Moura aposta em uma dic\u00e7\u00e3o mais coloquial, at\u00e9 grosseira (o \u201csurdo sino\u201d j\u00e1 mencionado vira \u201csino escroto\u201d, por exemplo).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico a subverter em busca de um olhar mais leve sobre Shakespeare. No soneto n\u00ba 22, Giba Assis Brasil comp\u00f5e uma tradu\u00e7\u00e3o sacana para a reflex\u00e3o de um amante sobre envelhecimento e morte. As irm\u00e3s Fernanda e Mariana Verissimo explodem a moldura cl\u00e1ssica dos 14 versos que definem o que \u00e9 um soneto, transformando sua tradu\u00e7\u00e3o do n\u00ba 19 (sobre o conflito entre a eternidade do verso e a inexorabilidade do tempo) em poema de 28 versos com alus\u00f5es a recursos contempor\u00e2neos da luta contra o envelhecimento, como a cirurgia pl\u00e1stica.<\/p>\n<p>Sonetos de Shakespeare, assim, se mostra um livro que desperta uma reflex\u00e3o sobre a pr\u00f3pria arte de traduzir. Quando mais de um convidado se debru\u00e7a sobre um mesmo poema, \u00e9 como se parissem duas obras diversas \u2013 e com muitas ou poucas diferen\u00e7as do original. Afinal, traduzir e co\u00e7ar, \u00e9 s\u00f3 come\u00e7ar.<\/p>\n<p>&#8211; Os Sonetos Completos. Tradu\u00e7\u00e3o de Vasco Gra\u00e7a Moura, edi\u00e7\u00e3o bilingue, com todos os 154 sonetos. Editora Landmark, 2005.&#8221;JORNAL PIONEIRO, DE CAXIAS DO SUL (RS)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;&#8221;&#8221;Sonetos Completos de William Shakespeare&#8221;&#8221;, edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue publicada pela Editora Landmark, em tradu\u00e7\u00e3o do poeta Vasco Gra\u00e7a Moura, selecionado como uma das tradu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis em l\u00edngua portuguesa na reportagem &#8220;&#8221;Shakespeare Interativo&#8221;&#8221; Obra rec\u00e9m-lan\u00e7ada convida o leitor a se aventurar na tradu\u00e7\u00e3o do rico vocabul\u00e1rio dos sonetos do brit\u00e2nico Porto Alegre \u2013 Vamos come\u00e7ar tirando de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"class_list":{"0":"post-1000","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"hentry","6":"category-51","8":"description-off"},"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1000","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1000"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1000\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1001,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1000\/revisions\/1001"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1000"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1000"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1000"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}