{"id":1060,"date":"2022-02-14T11:59:22","date_gmt":"2022-02-14T14:59:22","guid":{"rendered":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/?p=1060"},"modified":"2022-02-14T11:59:22","modified_gmt":"2022-02-14T14:59:22","slug":"06-02-2011-edicoes-bilingues-de-jane-austen-no-jornal-do-commercio-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/2022\/02\/14\/06-02-2011-edicoes-bilingues-de-jane-austen-no-jornal-do-commercio-pe\/","title":{"rendered":"06\/02\/2011 &#8211; EDI\u00c7\u00d5ES BIL\u00cdNGUES DE JANE AUSTEN NO JORNAL DO COMMERCIO (PE)"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Os 200 anos da publica\u00e7\u00e3o de Raz\u00e3o &#038; Sensibilidade nos lembram que a autora nunca saiu de moda<\/p>\n<p>Schneider Carpeggiani<\/p>\n<p>Seleta: Livros de Jane Austen lan\u00e7ados pela Editora Landmark no Brasil em edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue<\/p>\n<p>Jane Austen (1775-1817) parece que vai bem com tudo. Pura, on the rocks, misturada a zumbis, a roteiros adolescentes ou flambada no a\u00e7\u00facar cristalino dos guias sentimentais. Em 2011, s\u00e3o lembrados os 200 anos do seu romance Raz\u00e3o &#038; Sensibilidade. Mas efem\u00e9rides n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias para que seu nome se mantenha em evid\u00eancia. &#8220;&#8221;Sua literatura \u00e9 uma esp\u00e9cie de pilar que sustenta muitas obras de hoje. Se voc\u00ea reparar, v\u00e1rios filmes e livros se inspiram nas suas tramas&#8221;&#8221;, aponta Luciana Campelo, s\u00f3cia recifense da Jasbra (Jane Austen Sociedade do Brasil), fundada h\u00e1 quatro anos. A &#8220;&#8221;janeite&#8221;&#8221; (como s\u00e3o conhecidas as f\u00e3s da escritora inglesa) tem raz\u00e3o. Basta uma r\u00e1pida pesquisa online para perceber a atualidade da sua influ\u00eancia.<\/p>\n<p>A best-seller norte-americana Beth Pattillo publicou ano passado o curioso &#8220;&#8221;Jane Austen ruined my life&#8221;&#8221; (in\u00e9dito no Brasil). A trama \u00e9 o velho jogo de esconde-esconde em busca do amante ideal: mulher v\u00ea seu casamento perfeito ir por \u00e1gua abaixo, contrariando toda sua cren\u00e7a em finais felizes. Finais felizes esses que ela aprendeu a crer gra\u00e7as \u00e0s contantes releituras de cl\u00e1ssicos &#8220;&#8221;austeanos&#8221;&#8221; como Raz\u00e3o &#038; preconceito . &#8220;&#8221;E agora, Jane Austen?&#8221;&#8221; &#8211; pergunta o livro. E por falar no romance que relata as agruras e o para\u00edso do casal Elizabeth Bennet e Mr. Darcy, ele recebeu uma releitura trash de Seth Grahan-Smith e virou &#8220;&#8221;Orgulho, preconceito &#038; zumbis&#8221;&#8221;. O enredo \u00e9 ins\u00f3lito: os bailes de luxo da Inglaterra do s\u00e9culo 19 s\u00e3o invadidos por morto-vivos bem, hummm, vivinhos! Esses dois t\u00edtulos s\u00e3o apenas a ponta do iceberg das constantes interpreta\u00e7\u00f5es que a autora vem recebendo.<\/p>\n<p>O cinema tamb\u00e9m \u00e9 pr\u00f3digo em se inspirar na inglesa. Nos anos 1990, a com\u00e9dia &#8220;&#8221;As patricinhas de Beverly Hills&#8221;&#8221; atualizou com caprichado glac\u00ea pop a hist\u00f3ria da cupido serial que \u00e9 a personagem Emma. H\u00e1 pouco, o filme &#8220;&#8221;Clube de Leitura de Jane Austen&#8221;&#8221; mostrou por que as &#8220;&#8221;janeites&#8221;&#8221; podem at\u00e9 sofrer com as agruras do amor, mas do jogo de relacionamentos elas entendem (ao menos na teoria). Na saga Crep\u00fasculo, o vampiro boa-pra\u00e7a Edward Cullen \u00e9 leitor de Jane Austen. E isso sem falar nas constantes adapta\u00e7\u00f5es &#8220;&#8221;s\u00e9rias&#8221;&#8221; do legado austeano.<\/p>\n<p>O que essas hist\u00f3rias sobre mulheres &#8220;&#8221;aprisionadas&#8221;&#8221; em salas de estar e no joguete dos bailes da sociedade t\u00eam para despertar tamanho fasc\u00ednio? Muito simples (se \u00e9 que podemos lan\u00e7a m\u00e3o dessa palavra em se tratando de literatura): seus personagens s\u00e3o seres contradit\u00f3rios (pessoas fraturadas entre orgulho e preconceito, entre raz\u00e3o e sensibilidade), mesquinhos e divididos entre o que gostariam de fazer e o que &#8220;&#8221;precisam&#8221;&#8221; ser para continuar trafegando em paz pelas mesmas salas de estar e bailes de sempre. Nada muito diferente do que voc\u00ea v\u00ea hoje por a\u00ed, certo? Lembramos aqui outra vez a frase da &#8220;&#8221;janeite&#8221;&#8221; Luciana Campelo: Jane Austen \u00e9 um &#8220;&#8221;pilar&#8221;&#8221;. Pilar esse que abriga alguns dos arqu\u00e9tipos b\u00e1sicos da literatura.<\/p>\n<p>Nas suas mem\u00f3rias &#8220;&#8221;Lendo Lolita em Teer\u00e3&#8221;&#8221;, a professora iraniana Azar Nafisi escreveu sobre como a leitura de Jane Austen lhe ajudou a entender a ditadura que tanto sufoca as mulheres do seu pa\u00eds. Na sua leitura de &#8220;&#8221;Orgulho e Preconceito&#8221;&#8221;, ela aponta o quanto o jogo social da dan\u00e7a dos bailes \u00e9 uma met\u00e1fora de como se movimentam os personagens da inglesa. Darcy e Elizabeth, por exemplo, s\u00e3o ind\u00edviduos privados, colocados em lugares p\u00fablicos. Seus desejos por privacidade e reflex\u00e3o est\u00e3o continuamente se ajustando \u00e0 sua situa\u00e7\u00e3o dentro de uma comunidade muito pequena, que os mant\u00eam sob constante escrut\u00ednio. O equil\u00edbrio entre o p\u00fablico e o privado \u00e9 essencial a esse mundo. E \u00e9 na pista de dan\u00e7a que essa busca (ou esse embate) por equil\u00edbrio fica vis\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8220;&#8221;O ritmo para tr\u00e1s e para frente da dan\u00e7a se repete nas a\u00e7\u00f5es e \u00e9 nos movimentos dos dois protagonistas, em todno dos quais a trama \u00e9 criada. Eventos paralelos os aproximam e depois os afastam. Ao longo de todo o romance, Elizabeth e Darcy se movem constantemente tanto na dire\u00e7\u00e3o do outro como na dire\u00e7\u00e3o oposta. Cada vez que se movem para a frente, o terreno \u00e9 preparado para o movimento seguinte. Todo movimento para tr\u00e1s se segue por uma nova avalia\u00e7\u00e3o do movimento anterior que os aproximara. Existe um toma-l\u00e1-d\u00e1-c\u00e1 na dan\u00e7a, uma constante adapta\u00e7\u00e3o para as necessidades e os passos do parceiro&#8221;&#8221;, aponta Azar Nafisi.<\/p>\n<p>Na ter\u00e7a-feira, a reportagem do JC reuniu num dos shopings o bra\u00e7o pernambucano da Jasbra, para discutir a alquimia do discurso de Jane Austen. A advogada Luciana Darce revelou que, muitas vezes, \u00e9 alvo da curiosidade alheia, que n\u00e3o entende sua devo\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. &#8220;&#8221;Muita gente me pergunta &#8220;&#8221;De novo lendo Jane Austen?&#8221;&#8221;. As pessoas n\u00e3o percebem que ela foi a porta para que eu conhecesse a literatura inglesa que \u00e9 maravilhosa. Fico irritada quando as pessoas acham que Jane Austen \u00e9 literatura de mulherzinha. Isso \u00e9 coisa de quem nunca leu os seus livros&#8221;&#8221;, defende Luciana.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica em enfermagem Raquel Souza ingressou no mundo de Jane Austen gra\u00e7as ao seu fasc\u00ednio pelo Mr. Darcy. &#8220;&#8221;Na verdade, eu me apaixonei pelo Colin Firth primeiro, quando ele interpretou o Mr Darcy. Depois fui acompanhar tudo o que ele fez e, a partir da\u00ed, comecei a ler a obra de Jane Austen&#8221;&#8221;. Mr. Darcy, inclusive, \u00e9 uma unanimidade entre as f\u00e3s, que se dividem na hora de eleger seus cl\u00e1ssico &#8220;&#8221;austeano&#8221;&#8221; favorito. Quando questionadas se todas s\u00e3o apaixonadas pelo protagonista de &#8220;&#8221;Orgulho e Preconceito&#8221;&#8221;, um sonoro &#8220;&#8221;sim&#8221;&#8221; em conjunto veio como resposta.<\/p>\n<p>A secret\u00e1ria Luciana Campelo revela que muitos dos encontros do grupo \u00e9 feito pelo MSN ou via Orkut, mas j\u00e1 est\u00e1 marcando reuni\u00f5es presenciais para discutir o aniversariante &#8220;&#8221;Raz\u00e3o e Sensibilidade&#8221;&#8221;. O plano \u00e9 que o encontro bienal da Jasbra aconte\u00e7a em junho no Recife. No Brasil, a sociedade \u00e9 formada por cerca de 50 s\u00f3cios. Homens tamb\u00e9m s\u00e3o bem-vindos, para acabar com essa hist\u00f3ria de que Jane Austen \u00e9 coisa de &#8220;&#8221;mulherzinha&#8221;&#8221; (e se fosse, qual o problema?)&#8221;<\/p>\n<p>JORNAL DO COMMERCIO (PE)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Os 200 anos da publica\u00e7\u00e3o de Raz\u00e3o &#038; Sensibilidade nos lembram que a autora nunca saiu de moda Schneider Carpeggiani Seleta: Livros de Jane Austen lan\u00e7ados pela Editora Landmark no Brasil em edi\u00e7\u00e3o bil\u00edngue Jane Austen (1775-1817) parece que vai bem com tudo. 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