{"id":1137,"date":"2022-02-15T10:50:12","date_gmt":"2022-02-15T13:50:12","guid":{"rendered":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/?p=1137"},"modified":"2022-02-15T10:50:12","modified_gmt":"2022-02-15T13:50:12","slug":"24-10-2013-orlando-de-virginia-woolf-no-jornal-tribuna-do-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/2022\/02\/15\/24-10-2013-orlando-de-virginia-woolf-no-jornal-tribuna-do-norte\/","title":{"rendered":"24\/10\/2013 &#8211; ORLANDO, DE VIRGINIA WOOLF, NO JORNAL TRIBUNA DO NORTE"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Nova edi\u00e7\u00e3o de Orlando de Virginia Woolf<\/p>\n<p>Orlando narra a vida de um jovem nobre ingl\u00eas nascido no s\u00e9culo XVI, dotado aparentemente de imortalidade, que vive h\u00e1 tr\u00eas s\u00e9culos sem envelhecer e que abruptamente se transforma em mulher. O romance, uma biografia ficcional inspirada na vida da amiga \u00edntima de Virginia Woolf, Vita Sackville-West, \u00e9 geralmente considerado como um das obras mais acess\u00edveis da autora. O romance, que tem sido influente estilisticamente, \u00e9 um dos expoentes da Literatura do s\u00e9culo XX em geral, e particularmente na hist\u00f3ria da escrita das mulheres e dos estudos de g\u00eanero. Possuindo um relato agrad\u00e1vel, valendo-se da tem\u00e1tica temporal, uma das marcas de Virginia Woolf ao se valer da variante liter\u00e1ria e estil\u00edstica, apresenta um lado misterioso e quixotesco ao trabalhar as ambiguidades da identidade feminina e masculina e suas rela\u00e7\u00f5es com a condi\u00e7\u00e3o humana. Bem-humorado, \u00e9 um dos grandes exemplares do modernismo ingl\u00eas e um dos \u00e1pices da arte liter\u00e1ria de Virginia Woolf. Al\u00e9m do interessante e original argumento, a narrativa se destaca pela beleza das descri\u00e7\u00f5es e pelo lirismo de suas reflex\u00f5es e di\u00e1logos. Verdadeira poesia dentro da prosa.<\/p>\n<p>Mas quem \u00e9 Orlando? Homem ou mulher? Este \u00e9 o ponto de partida de uma das obras mais controvertidas e conhecidas de Virginia Woolf, devido principalmente ao seu car\u00e1ter amb\u00edguo que reflete a vis\u00e3o de si mesma e do mundo em que vivia. Pode-se afirmar que Virginia Woolf pretendeu valorizar as qualidades femininas do homem e as qualidades masculinas da mulher, construindo uma narrativa a favor da igualdade de ambos os g\u00eaneros, destacando o que nos torna similares ao inv\u00e9s daquilo que nos torna diferentes.<\/p>\n<p>Orlando apresenta uma dualidade sexual, a mesma que a pr\u00f3pria escritora defendia ao se colocar contra o asfixiante comportamento social da mulher inglesa. Como precursora de um incipiente feminismo, Woolf removeu a mulher do ostracismo social e de seu mero papel de esposa e m\u00e3e atrav\u00e9s da instru\u00e7\u00e3o e da criatividade liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>Orlando expressa a particular luta pela igualdade entre os sexos de Virginia Woolf; se em \u201cA Room of One\u2019s Own\u201d reivindicava um lugar para a intimidade da mulher e em \u201cMrs. Dalloway\u201d recha\u00e7ava a tradicional figura esperada pela sociedade, em \u201cORLANDO\u201d elege um personagem que durante um per\u00edodo de sua exist\u00eancia vive e sente como homem e durante outro per\u00edodo como mulher. Sem d\u00favida, a originalidade do tema demonstra que o personagem, ao adotar um papel masculino, o far\u00e1 com certa delicadeza e sensibilidade, j\u00e1 que em sua busca pela companheira ideal procura qualidades n\u00e3o valorizadas \u00e0quela \u00e9poca dentre as mulheres. E, inversamente, ao adotar o papel das mulheres, manifestar\u00e1 um machismo caracter\u00edstico contra sua posi\u00e7\u00e3o, fazendo aflorar a rebeldia e o inconformismo mais radical.<\/p>\n<p>Em 1989, foi levado pela primeira aos palcos pelo diretor Robert Wilson, adaptado por Darryl Pinckney. Uma segunda adapta\u00e7\u00e3o realizada pela dramaturga Sarah Ruhl estreou em Nova York em 2010. Foi levado aos cinemas em 1992, dirigido por Sally Potter, com Tilda Swinton (Precisamos Falar sobre Kevin) no papel-t\u00edtulo, recebendo duas indica\u00e7\u00f5es ao Oscar por figurino e dire\u00e7\u00e3o de arte. No Brasil, a obra de Woolf foi encenada pela diretora Bia Lessa e apresentada na temporada inaugural do Teatro I do CCBB no Rio de Janeiro em 1989, com a participa\u00e7\u00e3o dos atores Fernanda Torres, Julia Lemmertz, Cl\u00e1udia Abreu e Ot\u00e1vio Muller. Em 2004, Betty Gofman, Nat\u00e1lia Lage, Vanessa Gerbelli e Dany Roland estrearam uma nova montagem do espet\u00e1culo no Teatro Dulcina no Rio de Janeiro. &#8220;JORNAL TRIBUNA DO NORTE (RN)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Nova edi\u00e7\u00e3o de Orlando de Virginia Woolf Orlando narra a vida de um jovem nobre ingl\u00eas nascido no s\u00e9culo XVI, dotado aparentemente de imortalidade, que vive h\u00e1 tr\u00eas s\u00e9culos sem envelhecer e que abruptamente se transforma em mulher. 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