{"id":1149,"date":"2022-02-15T10:53:26","date_gmt":"2022-02-15T13:53:26","guid":{"rendered":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/?p=1149"},"modified":"2022-02-15T10:53:26","modified_gmt":"2022-02-15T13:53:26","slug":"30-08-2013-ao-farol-to-the-lighthouse-de-virginia-woolf-no-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/2022\/02\/15\/30-08-2013-ao-farol-to-the-lighthouse-de-virginia-woolf-no-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"30\/08\/2013 &#8211; AO FAROL: TO THE LIGHTHOUSE, DE VIRGINIA WOOLF, NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;A natureza fr\u00e1gil e pastosa da nossa subjetividade<\/p>\n<p>As personagens parecem existir t\u00e3o somente de cima para baixo; interessa o universo da intimidade<\/p>\n<p>A ficcionista Virginia Woolf nasceu na cidade de Londres em 1882, onde, sofrendo de grave depress\u00e3o, cometeu suic\u00eddio em 1941. Filha de um editor, recebeu esmerada educa\u00e7\u00e3o, tendo, desde cedo, convivido com o mundo liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>A narrativa percorre o universo da burguesia vitoriana e tem como pano de fundo os valores que envolvem o universo em meio \u00e0 Primeira Guerra Mundial<\/p>\n<p>Um de seus romances mais not\u00e1veis \u00e9 Orlando &#8211; uma alegoria da era vitoriana. \u00c9, sem sombra de d\u00favidas, uma das mais importantes escritoras da literatura inglesa do s\u00e9culo passado, bem como uma das mais atuantes personalidades culturais do grupo Bloomsbury &#8211; entidade que abrigava, no emp\u00f3s da Primeira Guerra Mundial, artistas que iam de encontro \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias que, de uma forma ou de outra, gravitavam em torno dos elementos-chave que traduziam a era vitoriana.<\/p>\n<p>As marcas de sua escritura fazem com que se apresente como uma voz singular\u00edssima; desse modo, de seu texto, evola-se a presen\u00e7a de met\u00e1foras ins\u00f3litas, da mesma forma como se inscrevem os sinais efetivos do fluxo da consci\u00eancia, do mon\u00f3logo interior, bem como a ruptura com o enredo notadamente factual.<\/p>\n<p>Por conta disso, suas personagens est\u00e3o mergulhadas, constantemente, em profunda introspec\u00e7\u00e3o, vivendo, assim, a experi\u00eancia de uma exist\u00eancia nebulosa, apresentando-se como castradas para o mundo real e concreto.<\/p>\n<p>O enredo<\/p>\n<p>Nesta narrativa, &#8220;&#8221;O Farol&#8221;&#8221;, assoma a vida em comum da fam\u00edlia Ramsay, cercada por seus amigos, numa casa de veraneio nas ilhas H\u00e9bridas; o cen\u00e1rio que se inscreve ao redor dessas rela\u00e7\u00f5es sociais configura o que decorre, em termos ps\u00edquicos, sociais, pol\u00edticos e econ\u00f4micos, da Primeira Guerra Mundial. A trama \u00e9 constru\u00edda a partir de uma multiplicidade de vozes narrativas, numa altern\u00e2ncia de personagens, de tempo e de espa\u00e7o: &#8220;&#8221;Agora, todas as velas estavam acesas, e sua luz aproximava os rostos em cada lado da mesa, compondo, coisa que n\u00e3o acontecia durante o crep\u00fasculo, um grupo ao redor da mesa. Pois a noite fora isolada l\u00e1 fora pelas vidra\u00e7as, que, longe de proporcionar uma vis\u00e3o precisa do mundo exterior, ondulava-o de modo t\u00e3o estranho, que ali, dentro da sala, parecia haver ordem e terra firme; l\u00e1 fora, apenas um reflexo onde as coisas oscilavam e se desvaneciam, fluidamente&#8221;&#8221;. Como se percebe, tudo isso encontra alian\u00e7a numa linguagem bem trabalhada, que, constantemente, toca o po\u00e9tico, eliminando, assim, as fronteiras entre a prosa e a poesia.<\/p>\n<p>Tra\u00e7os ficcionais<\/p>\n<p>A escritura de Virginia Woolf concentra-se, sobretudo, nas regi\u00f5es mais profundas do inconsciente de suas personagens; desse modo, ela investiga os desejos e as voli\u00e7\u00f5es que, as mais das vezes, s\u00e3o ignoradas at\u00e9 mesmos por elas pr\u00f3prias. Assim, o espa\u00e7o exterior perde import\u00e2ncia para o que sentem e vivenciam os protagonistas dos enredo.<\/p>\n<p>A forma<\/p>\n<p>Este romance se divide em tr\u00eas partes, apesar de a personagem Mrs. Ramsay converter para si a condu\u00e7\u00e3o maior do ponto de vista. Tudo envolve uma alegoria acerca da compreens\u00e3o da vida como uma sucess\u00e3o de perdas, ganhando relevo o vazio que, a rigor, parece alimentar o cotidiano das personagens.<\/p>\n<p>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/p>\n<p>Ainda que a trama seja narrada em terceira pessoa, isto \u00e9, a partir de um ponto de vista onisciente e onipresente, o fato de que as personagens s\u00e3o, constantemente, flagradas em profundas reflex\u00f5es sobre si mesmas ou sobre os acontecimentos ao redor, faz com que o emprego reiterado do discurso indireto livre d\u00ea a falsa impress\u00e3o de uma primeira pessoa. Como consequ\u00eancia desse recurso expressivo, a narrativa \u00e9 banhada por uma multiplicidade de vozes, implicando uma intensa polifonia.<\/p>\n<p>Uma das sensa\u00e7\u00f5es mais permanentes nesta narrativa \u00e9 a da dissolu\u00e7\u00e3o do tempo; \u00e9 como se as coisas n\u00e3o estivessem sob a \u00e9gide de uma mesura. As estranhas alian\u00e7as que as palavras estabelecem umas com as outras configuram o estado po\u00e9tico. A linguagem, assim, tem a for\u00e7a viva de uma personagem.<\/p>\n<p>Por Carlos Augusto Viana, Editor&#8221;JORNAL DI\u00c1RIO DO NORDESTE (CE)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A natureza fr\u00e1gil e pastosa da nossa subjetividade As personagens parecem existir t\u00e3o somente de cima para baixo; interessa o universo da intimidade A ficcionista Virginia Woolf nasceu na cidade de Londres em 1882, onde, sofrendo de grave depress\u00e3o, cometeu suic\u00eddio em 1941. 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