{"id":1337,"date":"2022-02-15T12:50:25","date_gmt":"2022-02-15T15:50:25","guid":{"rendered":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/?p=1337"},"modified":"2022-02-15T12:50:25","modified_gmt":"2022-02-15T15:50:25","slug":"10-09-2015-o-estranho-caso-do-dr-jekyll-e-do-sr-hyde-na-revista-psique-ciencia-e-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/2022\/02\/15\/10-09-2015-o-estranho-caso-do-dr-jekyll-e-do-sr-hyde-na-revista-psique-ciencia-e-vida\/","title":{"rendered":"10\/09\/2015 &#8211; O ESTRANHO CASO DO DR JEKYLL E DO SR. HYDE NA REVISTA PSIQUE CI\u00caNCIA E VIDA"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;A verdade sobre n\u00f3s mesmos<\/p>\n<p>H\u00e1 momentos em que, no ventre agonizante da consci\u00eancia, nasce um sentimento que contraria a ideia de existirmos como um ser de uma \u00fanica personalidade. Esse sentimento aparece quando nos perguntamos: Quem em mim atuou dessa maneira que me envergonha?<\/p>\n<p>No contexto hist\u00f3rico da era vitoriana, per\u00edodo marcado pelo moralismo puritano, importava muito ter uma imagem que correspondesse ao ideal daquela sociedade. Foi nesse per\u00edodo que Robert Louis Stevenson escreveu O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde e publicou em 1886. No encanto da leitura desse cl\u00e1ssico da literatura, percebi uma fic\u00e7\u00e3o que conta toda a verdade sobre n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Dr. Jekyll era um personagem desejoso de respeitabilidade e tradicionalismo. Ele caminhou tanto por um dos extremos de sal natureza, que essa escolha unilateral o levou a repelis tudo que estivesse em oposi\u00e7\u00e3o a esse caminho. Em consequ\u00eancia criou, com tudo que foi sobrepujado, uma forma oculta \u201chide\u201d de ser chamado de Mr. Hyde.<\/p>\n<p>Stevenson relata em sua hist\u00f3ria que o Dr. Jekyll, ao reconhecer sua dualidade e sentir um \u201cOutro\u201d contido a se debater, se deu conta de um corpo fraco para contes as energias enfurecidas da vida. Resolve ent\u00e3o trabalhar para conseguir uma subst\u00e2ncia qu\u00edmica para que cada uma dessas personalidades pudesse morar em corpos separados. Foi a maneira que imaginou poder conciliar sua vontade de continuar a ser respeitado e estimado, com esse \u201cOutro\u201d escondido em si mesmo e com vontades moralmente feias. Esse \u201coutro\u201d era o inconsciente causando turbul\u00eancia na consci\u00eancia.<\/p>\n<p>O inconsciente coloca uma coisa no lugar de outra, essa \u00e9 sua forma de funcionar; assim como a consci\u00eancia separa uma mesma realidade em opostos irreconcili\u00e1veis. \u00c9 como aquela porta que de um lado est\u00e1 escrito \u201centrada\u201d e do outro \u201csa\u00edda\u201d; mas \u00e9 a mesma porta. N\u00e3o podemos enxergar sem luz e sombra. A consci\u00eancia divide a natureza do homem em regi\u00f5es do bem e do mal e coloca cada coisa com sua caracter\u00edstica singular. Enquanto o inconsciente engana, confunde, coloca uma coisa no lugar de outra e agrupa os produtos ps\u00edquicos, por suas semelhan\u00e7as, para formar categorias. Suas manifesta\u00e7\u00f5es, portanto, n\u00e3o t\u00eam l\u00f3gica da consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Se algo nos afeta, entusiasma e tem for\u00e7as sobre n\u00f3s, eis a\u00ed uma de nossas personalidades buscando um meio de conversar conosco. No entanto, se nosso receio \u00e9 de n\u00e3o atender o que julgamos ser o belo para o outro, ent\u00e3o cavamos um fosso profundo entre tudo isso que somos n\u00f3s. E, como o Abel e Caim em nossas entranhas, o nosso eu quer favorecer um em detrimento do outro. Dessa forma provocamos um abismo entre os dois e corremos o risco de destruir o verdadeiramente belo.<\/p>\n<p>Dr. Jekyll conseguiu a f\u00f3rmula qu\u00edmica que procurava. Esta, ao ser ingerida, o fez sofrer a metamorfose que o transformou em Mr. Hyde. Este era mais jovem, tinha uma menor estatura e fei\u00e7\u00f5es aterrorizantes. Ao tomar o l\u00edquido novamente, voltava a ser Dr. Jekyll. Dessa fora ele passou a viver um e outro, como indiv\u00edduos separados, at\u00e9 ser vencido pelo Mr. Hyde e p\u00f4r fim \u00e0 sua vida.<\/p>\n<p>Diz Stevenson: \u201cA droga n\u00e3o agia de forma discriminat\u00f3ria; ela n\u00e3o era nem divina, nem diab\u00f3lica. Apenas balan\u00e7ava as portas da pris\u00e3o de meu car\u00e1ter\u201d. A palavra diabo \u00e9 aquilo que desune, Na nossa dualidade, para unirmos essas partes em disc\u00f3rdia, necessitamos de \u201cs\u00edmbolos\u201d. Essa palavra mostra a carga afetiva envolvida e a torna maior do que aquilo que \u00e9 mostrado.<\/p>\n<p>No processo da psicoterapia associada \u00e0 psicofarmacologia, devemos considerar os s\u00edmbolos nos dois recursos: aqueles que participam na forma\u00e7\u00e3o do que chamamos de \u201ccomplexos\u201d; quanto o saber que o rem\u00e9dio prescrito, al\u00e9m do seu efeito qu\u00edmico, carrega a sua efic\u00e1cia simb\u00f3lica. Jung define \u201ccomplexos\u201d como dotados de tens\u00e3o ou energia pr\u00f3prias, com tend\u00eancia de formarem, tamb\u00e9m por conta pr\u00f3pria, uma pequena personalidade. Da\u00ed Mr. Hyde aparecer com menor estatura (pequena personalidade) e mais jovem, pois o complexo come\u00e7a a se organizar tempos depois que o sujeito nasceu e teve suas experi\u00eancias do desenvolvimento. A psicofarmacologia moderna tem coo ajudar conter as emo\u00e7\u00f5es inapropriadas e facilitar o trabalho da psicoterapia em aproximar esses nossos lados inimigos, para nos tornarmos \u201cin-div\u00edduo\u201d.<\/p>\n<p>Stevenson narrando como Dr. Jekyll escreve: \u201cque o homem, verdadeiramente, n\u00e3o \u00e9 \u00fanico, mas, de fato, dois. Eu digo dois, pois o estado do meu pr\u00f3prio conhecimento n\u00e3o passa desse ponto. Outros seguir\u00e3o&#8230; e arrisco em dizer que o homem ser\u00e1, no final das contas, conhecido por uma mera constitui\u00e7\u00e3o de habitantes de m\u00faltiplas formas, incongruentes e independentes\u201d. Assim tudo depende de um \u201cEu\u201d como regente da consci\u00eancia para governar essa popula\u00e7\u00e3o e fazer justi\u00e7a como o rei Salom\u00e3o.<\/p>\n<p>Como diz a F\u00edsica e a Psicologia: tudo est\u00e1 conectado. Cada um de n\u00f3s possui v\u00e1rias personalidades que precisam se relacionar entre si sob a reg\u00eancia de um \u201cEu\u201d bem fortalecido e, ao mesmo tempo, aberto para interagir com o cosmo. Nosso juiz interior n\u00e3o dever\u00e1 ser cooptado pelos s\u00edmbolos da nossa sociedade, em detrimento do respeito \u00e0 pr\u00f3pria natureza e aos talentos presenteados pelos deuses. S\u00f3 assim poderemos n a condi\u00e7\u00e3o de respeito \u00e0 nossa singularidade na pluralidade de todo o finalmente nos sentirmos \u201cin-div\u00edduo\u201d. &#8220;REVISTA PSIQUE CI\u00caNCIA E VIDA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;A verdade sobre n\u00f3s mesmos H\u00e1 momentos em que, no ventre agonizante da consci\u00eancia, nasce um sentimento que contraria a ideia de existirmos como um ser de uma \u00fanica personalidade. Esse sentimento aparece quando nos perguntamos: Quem em mim atuou dessa maneira que me envergonha? 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