{"id":662,"date":"2022-02-11T08:21:15","date_gmt":"2022-02-11T11:21:15","guid":{"rendered":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/?p=662"},"modified":"2022-02-11T08:21:15","modified_gmt":"2022-02-11T11:21:15","slug":"14-05-2007-meditacoes-no-jornal-hoje-em-dia-de-belo-horizonte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/2022\/02\/11\/14-05-2007-meditacoes-no-jornal-hoje-em-dia-de-belo-horizonte\/","title":{"rendered":"14\/05\/2007 &#8211; MEDITA\u00c7\u00d5ES NO JORNAL HOJE EM DIA DE BELO HORIZONTE"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Al\u00e9cio Cunha Rep\u00f3rter Nome fundamental da l\u00edngua e literatura inglesas, o poeta metaf\u00edsico John Donne (1572-1631) \u00e9 pouco conhecido no Brasil, embora tenha sido traduzido por nomes como P\u00e9ricles Eug\u00eanio da Silva Ramos, no final dos anos 70, em antologias publicadas pela extinta editora Philobiblion, e por Augusto de Campos, cuja vers\u00e3o de \u00abOra\u00e7\u00e3o Ao Tempo\u00bb foi, inclusive, musicada pelo baiano Caetano Veloso. A editora paulista Landmark vem preencher esta lacuna com a publica\u00e7\u00e3o das \u00abMedita\u00e7\u00f5es\u00bb, obra seminal de Donne, em vers\u00e3o bil\u00edng\u00fce com tradu\u00e7\u00e3o de F\u00e1bio Cyrino, um apaixonado pelos versos vitais do poeta ingl\u00eas. \u00abA import\u00e2ncia de John Donne, finalmente, vai ser apresentada ao p\u00fablico brasileiro em uma extens\u00e3o mais ampla. Ele \u00e9 contempor\u00e2neo de nomes como William Shakespeare e, assim, como Shakespeare, sua literatura possui uma for\u00e7a atemporal. Seus textos, embora escritos no s\u00e9culo XVII, s\u00e3o contempor\u00e2neos e suas li\u00e7\u00f5es servem a n\u00f3s, em pleno s\u00e9culo XXI\u00bb, frisa o tradutor. Para Cyrino, a volta de Donne \u00e0s estantes das livrarias possui um significado especial. \u00abMuita pouca gente, principalmente as novas gera\u00e7\u00f5es de leitores, conhecem realmente seu trabalho. As pessoas nem imaginam que Ernest Hemingway tirou o t\u00edtulo de um de seus romances mais populares, \u00abPor Quem Os Sinos Dobram\u00bb, de um texto de Donne. Nem que express\u00f5es hoje populares como \u2019nenhum homem \u00e9 uma ilha\u2019 foram ditas primeiro por ele\u00bb, conta. Na vis\u00e3o de F\u00e1bio Cyrino, as \u00abMedita\u00e7\u00f5es\u00bb ocupam um lugar muito especial na geografia liter\u00e1ria de Donne. \u00ab\u00c9 uma obra que apresenta de um modo po\u00e9tico e complexo uma ampla reflex\u00e3o de todas as caracter\u00edsticas metaf\u00edsicas de uma produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria vasta\u00bb, afirma. Donne \u00e9, antes de mais nada, um poeta que reflete sobre as coisas do esp\u00edrito, embora utilize o corpo como objeto reflexivo tanto da f\u00e9 quanto da d\u00favida. O tradutor lembra que Donne escreveu seus textos meditativos, uma excelente combina\u00e7\u00e3o entre poesia e prosa, como parte de uma obra maior, as \u00abDevo\u00e7\u00f5es Para Ocasi\u00f5es Emergentes\u00bb, trabalho que transcende o car\u00e1ter religioso e \u00e9 impregnado de aura simultaneamente existencialista e humana. \u00abElas foram redigidas quando Donne estava gravemente doente e publicadas em 1624\u00bb, conta Cyrino. Para o respons\u00e1vel por verter \u00e0 l\u00edngua portuguesa o lirismo peculiar de John Donne, \u00abMedita\u00e7\u00f5es\u00bb vem ao lume em um momento crucial do percurso est\u00e9tico do poeta ingl\u00eas. \u00abTalvez o ponto mais marcante da literatura do s\u00e9culo XVII ocorra quando o estilo de Donne muda da poesia amorosa para a poesia secular e religiosa produzida na maturidade, transformando-se atrav\u00e9s de suas afirma\u00e7\u00f5es fortes e filos\u00f3ficas sobre a profundidade de reflex\u00f5es em torno do sentido da vida e da morte\u00bb, explica. F\u00e1bio Cyrino observa que, a partir deste momento, John Donne torna-se um poeta metaf\u00edsico, cujo principal objetivo foi proporcionar aos seus leitores uma maneira de entrar em um \u00abpara\u00edso idealizado atrav\u00e9s de suas reflex\u00f5es profundas\u00bb. Vejam a seguir este exemplo da contund\u00eancia do pensamento do poeta ingl\u00eas, eternizado depois atrav\u00e9s do senso comum e da propaga\u00e7\u00e3o de frases soltas por meio da for\u00e7a da oralidade. \u00abNenhum homem \u00e9 uma ilha, inteiramente isolado; todo homem \u00e9 um peda\u00e7o de um continente, uma parte de um todo. Se um torr\u00e3o de terra for levado pelas \u00e1guas at\u00e9 o mar, a Europa fica diminu\u00edda, como se fosse um promont\u00f3rio, como se fosse o solar de seus amigos ou o seu pr\u00f3prio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do g\u00eanero humano. E por isso n\u00e3o perguntai: Por quem os sinos dobram? Eles dobram por v\u00f3s\u00bb, escreveu Donne. A c\u00e9lebre medita\u00e7\u00e3o, que serviu de inspira\u00e7\u00e3o para o t\u00edtulo do romance de Ernest Hemingway, tamb\u00e9m ganhou popularidade atrav\u00e9s da propaga\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, no caso o sucesso do filme \u00abPor Quem Os Sinos Dobram\u00bb, estrelado por Gary Cooper, Ingrid Bergman e Katina Paxinou, passado durante a Guerra Civil Espanhola. \u00abOs sinos tinham uma import\u00e2ncia simb\u00f3lica na sociedade em que Donne vivia, pois avisavam a comunidade dos eventos que aconteciam naquela \u00e9poca, especificamente a sa\u00edda dos cortejos f\u00fanebres. John Donne estava incerto de tudo na vida. Era um jovem poeta despedindo-se da vida antes de entrar em um mundo espiritual. Ali\u00e1s, esta \u00e9 a principal mensagem das \u2019Medita\u00e7\u00f5es\u2019, a obra m\u00e1xima de Donne\u00bb, afirma F\u00e1bio Cyrino. Na vis\u00e3o do tradutor, a tarefa de trazer Donne ao portugu\u00eas n\u00e3o foi t\u00e3o dif\u00edcil. \u00abQuando havia, alguma dificuldade, cotejei vers\u00f5es em franc\u00eas e em espanhol. \u00c9 muito gostoso traduzir o ingl\u00eas da \u00e9poca de Donne, uma l\u00edngua em forma\u00e7\u00e3o. Mas eu me policiava sempre, pensando no bord\u00e3o de que que traduzir pode ser trair. N\u00e3o tra\u00ed ningu\u00e9m\u00bb, garante. Cyrino compara parte do estilo de Donne ao esp\u00edrito reflexivo do baiano Greg\u00f3rio de Mattos, tamb\u00e9m conhecido pela alcunha de \u00abboca do inferno\u00bb, um autor sem papas na l\u00edngua, sobretudo em sua \u00e1cida vertente sat\u00edrica. \u00abDonne e Greg\u00f3rio viveram na mesma \u00e9poca, respiram os mesmos ares, embora em culturas distintas\u00bb, salienta o tradutor. A editora Landmark prepara at\u00e9 o final do ano outras atra\u00e7\u00f5es para a cole\u00e7\u00e3o bil\u00edng\u00fce de cl\u00e1ssicos, da qual as \u00abMedita\u00e7\u00f5es\u00bb fazem parte. Est\u00e3o previstas tradu\u00e7\u00f5es de obras das irm\u00e3s Charlotte e Emily Bront\u00e9, como \u00abJane Eyre\u00bb e \u00abO Morro Dos Ventos Uivantes\u00bb, Jane Austen e Oscar Wilde. \u00abMedita\u00e7\u00f5es\u00bb. De John Donne. Tradu\u00e7\u00e3o: F\u00e1bio Cyrino. Editora Landmark, 144 p\u00e1ginas, R$ 24,50. TRECHO Das \u00abMedita\u00e7\u00f5es\u00bb, de John Donne \u00abTudo na natureza \u00e9 como a caixa que cont\u00e9m dentro dela outra menor, e a essa, outra menor ainda: o c\u00e9u cont\u00e9m a terra, cidades; as cidades, os homens. E tudo isso \u00e9 conc\u00eantrico: o centro comum a todos eles \u00e9 a decad\u00eancia, a ru\u00edna: somente o que nunca foi criado \u00e9 exc\u00eantrico, somente aquele lugar ou, de outro modo, aquele acess\u00f3rio, que podemos imaginar, mas n\u00e3o demonstrar. A luz, que \u00e9 a verdadeira emana\u00e7\u00e3o da luz de Deus, na qual os santos residem, com a qual os santos se revestem, \u00e9 o \u00fanico ponto que n\u00e3o est\u00e1 no centro, o da ru\u00edna: pois ela, n\u00e3o tendo consist\u00eancia, n\u00e3o est\u00e1 fadada a esta aniquila\u00e7\u00e3o\u00bb &#8221;<\/p>\n<p>JORNAL HOJE EM DIA DE BELO HORIZONTE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Al\u00e9cio Cunha Rep\u00f3rter Nome fundamental da l\u00edngua e literatura inglesas, o poeta metaf\u00edsico John Donne (1572-1631) \u00e9 pouco conhecido no Brasil, embora tenha sido traduzido por nomes como P\u00e9ricles Eug\u00eanio da Silva Ramos, no final dos anos 70, em antologias publicadas pela extinta editora Philobiblion, e por Augusto de Campos, cuja vers\u00e3o de \u00abOra\u00e7\u00e3o Ao&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"class_list":{"0":"post-662","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"hentry","6":"category-48","8":"description-off"},"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=662"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/662\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":663,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/662\/revisions\/663"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}