{"id":674,"date":"2022-02-11T08:24:27","date_gmt":"2022-02-11T11:24:27","guid":{"rendered":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/?p=674"},"modified":"2022-02-11T08:24:27","modified_gmt":"2022-02-11T11:24:27","slug":"17-04-2007-meditacoes-no-diario-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/2022\/02\/11\/17-04-2007-meditacoes-no-diario-do-nordeste\/","title":{"rendered":"17\/04\/2007 &#8211; MEDITA\u00c7\u00d5ES NO DI\u00c1RIO DO NORDESTE"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;O ingl\u00eas John Donne (1572-1631) \u00e9 de um tempo em que escrever acerca de temas religiosos n\u00e3o era sin\u00f4nimo de mediocridade liter\u00e1ria, picaretagem mercadol\u00f3gica ou aquilo que se chama de auto-ajuda. \u201cMedita\u00e7\u00f5es\u201d, uma de suas principais obras, acaba de ganhar um tradu\u00e7\u00e3o tardia para o portugu\u00eas &#8211; e p\u00f5e tardia nisso, j\u00e1 que a edi\u00e7\u00e3o original da obra data de 1624. A tem\u00e1tica gira em torno a transitoriedade da vida e a prepara\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito humano para o encontro com o criador. Apesar da demora, a obra ganhou um tratamento raro aos textos cl\u00e1ssicos aqui no Brasil. A edi\u00e7\u00e3o \u00e9 bil\u00edng\u00fce, trazendo o texto original ladeado pela vers\u00e3o caprichada assinada pelo tradutor Fabio Cyrino. \u201cMedita\u00e7\u00f5es\u201d faz parte de uma obra maior de John Donne &#8211; \u201cDevo\u00e7\u00f5es para ocasi\u00f5es emergentes\u201d. A obra re\u00fane 23 textos curtos, escritos durante uma grave enfermidade que se abateu sobre o poeta. Como a maioria de seus pares na \u00e9poca, John Donne acabou ofuscado pelo gigantismo da obra de William Shakespeare (1564 &#8211; 1616), grande nome da literatura do per\u00edodo. Entretanto, Donne \u00e9 merecedor de uma boa revis\u00e3o, principalmente no Brasil, onde recebeu pouca aten\u00e7\u00e3o. Em seu tempo, foi um dos principais poetas da tem\u00e1tica metaf\u00edsica e famoso te\u00f3logo. Pensador ousado, chegou a escrever um ensaio sobre o suic\u00eddio, livrando aquele que comete o ato do pesado julgamento que ainda hoje a Igreja Cat\u00f3lica o imp\u00f5e. Entre suas principais obras, se destacam \u201cS\u00e1tiras\u201d e \u201cDevo\u00e7\u00f5es para ocasi\u00f5es emergentes\u201d, no qual figuram os textos de \u201cMedita\u00e7\u00f5es\u201d. Criar e recriar Escritas h\u00e1 quase 400 anos, as medita\u00e7\u00f5es de John Donne se imp\u00f5em como um desafio ao tradutor. Por um lado, o autor escreve em um ingl\u00eas arcaico, com palavras que se perderam no tempo. Por outro, o poeta faz parte de uma gera\u00e7\u00e3o que inventou a forma moderna do idioma, que forneceu as bases para o que ainda se fala hoje. \u201cNa \u00e9poca da obra, o ingl\u00eas estava em forma\u00e7\u00e3o. H\u00e1 quem diga que 40 % do ingl\u00eas, parecido com o que se fala hoje, surgiu nas obras de Shakespeare. Em suas pe\u00e7as, ele criava muitos neologismos. Com o John Donne aconteceu mesma coisa\u201d, explica Fabio Cyrino, tradutor do poeta metaf\u00edsico. O potencial criativo de Donne \u00e9, exatamente, um dos principais obst\u00e1culos a quem se aventura na tarefa de recri\u00e1-lo em outro idioma. \u201cEle se valia de palavras de outras l\u00ednguas. Ent\u00e3o, muitas vezes voc\u00ea n\u00e3o encontra a palavra certa no ingl\u00eas. Precisa procurar em outros idiomas uma que mais se aproxime do prop\u00f3sito do texto original\u201d, explica o tradutor. Em seu processo de recria\u00e7\u00e3o das medita\u00e7\u00f5es de Donne, Cyrino n\u00e3o se valeu de um recurso comumente utilizado pelos tradutores: a compara\u00e7\u00e3o com outras tradu\u00e7\u00f5es, tanto do mesmo idioma, quanto estrangeiras. Se tivesse optado por esse m\u00e9todo, n\u00e3o teria encontrado grande coisa no Brasil. Aqui, Donne \u00e9 mais conhecido pela medita\u00e7\u00e3o de n\u00famero 17. Nela, est\u00e1 c\u00e9lebre passagem \u201c(&#8230;) n\u00e3o se perguntai: por quem os sinos dobram; eles dobram por v\u00f3s\u201d &#8211; da qual Ernest Hemingway tomou emprestado o t\u00edtulo de um de seus romances mais famosos. \u201cPreferi buscar em outras l\u00ednguas pr\u00f3ximas um correspondente que melhor se encaixasse. Os mais puristas devem reclamar\u201d, comenta. Fabio Cyrino n\u00e3o se diz preocupado com a \u201cousadia\u201d de colocar sua transcria\u00e7\u00e3o, literalmente, lado a lado com as palavras originais de John Donne. \u201cA tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 um trabalho de adapta\u00e7\u00e3o. Um tradutor que admiro bastante, o portugu\u00eas Gra\u00e7a Moura, cria novamente o texto, de forma po\u00e9tica, e sem perder a raiz dos autores\u201d, avalia. Ao inv\u00e9s de consultar outras vers\u00f5es da obra em que se debru\u00e7a, Cyrino prefere estudar as solu\u00e7\u00f5es de alguns mestres brasileiros na arte de traduzir. Entre eles, Machado de Assis e Mill\u00f4r Fernandes. Editora se especializa em vers\u00f5es bil\u00edng\u00fces N\u00e3o h\u00e1 leitor veterano que n\u00e3o tenha se irritado com algum erro grosseiro de tradu\u00e7\u00e3o. Irritam, em especial, aqueles que, mesmo que ignorando por completo a l\u00edngua da vers\u00e3o original, sejam percept\u00edveis. \u00c9 verdade que h\u00e1 tradutores in\u00e1beis (mais do que deveria). Entretanto, h\u00e1 obst\u00e1culos, por vezes insuper\u00e1veis, encontrados na transcria\u00e7\u00e3o de qualquer obra. Nesse caso, h\u00e1 duas sa\u00eddas: ou se esquece a tradu\u00e7\u00e3o e se faz a leitura direto no original ou, para aqueles que n\u00e3o s\u00e3o fluentes nas l\u00ednguas estrangeiras, as edi\u00e7\u00f5es bil\u00edng\u00fces. Pouco explorado no Brasil, o formato de p\u00f4r lado a lado o texto original e sua transcria\u00e7\u00e3o \u00e9 uma das apostas da editora paulista Landmark. De 2002 para c\u00e1, a editora j\u00e1 colocou no mercado \u201cOs Sonetos Completos\u201d, de William Shakespeare; \u201cA Divina Com\u00e9dia\u201d, de Dante Alighieri; \u201cA Volta do Parafuso\u201d, de Henry James; e \u201cContos Completos\u201d, de Oscar Wilde. Todos esses em novas tradu\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m de \u201cMedita\u00e7\u00f5es\u201d, at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dita no pa\u00eds, a editora promoveu o debut de \u201cAs Cr\u00f4nicas do Brasil\u201d, do brit\u00e2nico Rudyard Kipling. \u201cA editora ainda \u00e9 nova. Nesse per\u00edodo, temos nos dedicado a trazer novas tradu\u00e7\u00f5es para obras significativas ou que tenham apelo especial para o leitor brasileiro. Sempre temos essa preocupa\u00e7\u00e3o. Todo ano, nosso conselho faz uma sele\u00e7\u00e3o e foi assim que cheguei at\u00e9 as \u2018Medita\u00e7\u00f5es\u2019, de John Donne\u201d, explica o tradutor Fabio Cyrino, um dos editores da Landmark. Se, do ponto de vista comercial, a edi\u00e7\u00e3o bil\u00edng\u00fce \u00e9 um diferencial de mercado, do ponto de vista da tradu\u00e7\u00e3o, significa mais press\u00e3o sobre o tradutor. \u201cQuando se toma a decis\u00e3o de colocar o original ali, colado com o texto que voc\u00ea produziu, aumenta sua responsabilidade\u201d, conta. Novas edi\u00e7\u00f5es At\u00e9 agora, a editora colocou sete livros bil\u00edng\u00fces no mercado. Outros nove devem ser lan\u00e7ados at\u00e9 o final do ano. Entre os t\u00edtulos j\u00e1 definidos, est\u00e3o in\u00e9ditos de Jane Austen, das irm\u00e3s Charlotte e Emily Bront\u00eb (ambos para junho) e, em outubro, de L. Frank Baum (criador do de \u201cO Fant\u00e1stico M\u00e1gico de Oz\u201d). DELLANO RIOS Rep\u00f3rter&#8221;<\/p>\n<p>DI\u00c1RIO DO NORDESTE<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O ingl\u00eas John Donne (1572-1631) \u00e9 de um tempo em que escrever acerca de temas religiosos n\u00e3o era sin\u00f4nimo de mediocridade liter\u00e1ria, picaretagem mercadol\u00f3gica ou aquilo que se chama de auto-ajuda. \u201cMedita\u00e7\u00f5es\u201d, uma de suas principais obras, acaba de ganhar um tradu\u00e7\u00e3o tardia para o portugu\u00eas &#8211; e p\u00f5e tardia nisso, j\u00e1 que a edi\u00e7\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[48],"tags":[],"class_list":{"0":"post-674","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"hentry","6":"category-48","8":"description-off"},"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=674"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/674\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":675,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/674\/revisions\/675"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}