{"id":707,"date":"2022-02-11T10:35:35","date_gmt":"2022-02-11T13:35:35","guid":{"rendered":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/?p=707"},"modified":"2022-02-11T10:35:35","modified_gmt":"2022-02-11T13:35:35","slug":"01-09-2008-orgulho-e-preconceito-e-persuasao-na-gazeta-do-povo-de-curitiba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/2022\/02\/11\/01-09-2008-orgulho-e-preconceito-e-persuasao-na-gazeta-do-povo-de-curitiba\/","title":{"rendered":"01\/09\/2008 &#8211; ORGULHO E PRECONCEITO E PERSUAS\u00c3O NA GAZETA DO POVO, DE CURITIBA"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Entrevista com a professora e mestre com disserta\u00e7\u00e3o sobre a obra de Jane Austen, Renata Colasante<\/p>\n<p>Em suas tentativas de encontrar tradu\u00e7\u00f5es para o portugu\u00eas que servissem de fonte ao trabalho de mestrado intitulado A Leitura e os Leitores em Jane Austen, defendido em 2006 pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a professora Renata Colasante esbarrou na escassez de edi\u00e7\u00f5es brasileiras da obra de Jane Austen. E na baixa qualidade das tradu\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mansfield Park, seu principal objeto de desejo, foi tamb\u00e9m dos mais complicados de achar. A \u00fanica vers\u00e3o nacional, traduzida por Rachel de Queiroz, est\u00e1 esgotada. \u201cEsse livro sumiu\u201d, diz a estudiosa, que foi encontrar um exemplar no Museu da Independ\u00eancia de S\u00e3o Paulo. Esperava uma tradu\u00e7\u00e3o \u00e0 altura da escritora que a realizou, mas se deparou com uma \u201cmuito ruim\u201d: erros e trechos suprimidos. \u201cPerde-se muito nas tradu\u00e7\u00f5es. Precisariam ser feitas por algu\u00e9m que conhecesse bem o estilo da Jane Austen. A maior dificuldade \u00e9 a quest\u00e3o da forma\u201d.<\/p>\n<p>A especialista teve a chance de experimentar o desafio ao traduzir os dois primeiros cap\u00edtulos de Mansfield Park a pedido de uma grande editora, que cogita, a partir dessa amostra, relan\u00e7ar o livro \u2013 sem garantias, infelizmente, de que isso aconte\u00e7a. \u00c9 lament\u00e1vel a falta de op\u00e7\u00f5es para entrar em contato com o universo da autora inglesa (a editora Landmark colocou no mercado edi\u00e7\u00f5es bil\u00edng\u00fces de &#8220;&#8221;Orgulho e Preconceito&#8221;&#8221; e &#8220;&#8221;Persuas\u00e3o&#8221;&#8221; e planeja lan\u00e7ar, no mesmo formato, os outros quatro romances completos). Renata Colasanti, por\u00e9m, na entrevista abaixo, torna-o um pouco mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>Gazeta do Povo \u2013 Os livros de Jane Austen datam da virada do s\u00e9culo 18 para o 19. Ainda assim, n\u00e3o apenas continuam a ser lidos, como influenciam outras obras. O que torna a autora atual, capaz de repercutir ainda hoje?<\/p>\n<p>Embora o mundo de Jane Austen pare\u00e7a \u00e0 primeira vista restrito \u00e0 Inglaterra da virada do s\u00e9culo, os temas que a autora tratou s\u00e3o absolutamente atuais. O mais evidente, a dificuldade nas rela\u00e7\u00f5es humanas, especialmente do ponto de vista feminino, \u00e9 recorrente em sua obra.<\/p>\n<p>Grandes sucessos do cinema foram releituras, independente de sua qualidade, de romances de Jane Austen. H\u00e1 ainda um exemplo de grande relev\u00e2ncia. Ian McEwan, o renomado autor de Repara\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m declara ter baseado sua hist\u00f3ria, em parte, e, principalmente, sua personagem principal, Briony, em Catherine Morland, hero\u00edna de A Abadia de Northanger. S\u00e3o exemplos do quanto a obra da autora ainda nos tem a dizer. Embora as pessoas prestem muita aten\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es pessoais, elas s\u00e3o na verdade secund\u00e1rias para Jane Austen. H\u00e1 outros temas importantes em sua obra que devem ser notados e dizem respeito \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais. Jane Austen \u00e9 exata na descri\u00e7\u00e3o que faz da sociedade burguesa de sua \u00e9poca e desigualdades, explora\u00e7\u00e3o, preconceitos, hipocrisia, rela\u00e7\u00f5es de dinheiro etc s\u00e3o coisas que fazem parte de nossa sociedade at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Pelo seu conhecimento da (escassa) biografia da autora, o que teria permitido que ela avan\u00e7asse em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s realiza\u00e7\u00f5es que \u201ccabiam\u201d a uma mulher do seu tempo?<\/p>\n<p>Jane Austen, a exemplo de suas hero\u00ednas, tamb\u00e9m passa pela experi\u00eancia de ser uma mulher que, embora burguesa, n\u00e3o possui uma heran\u00e7a, ficando obrigada a ou realizar um bom casamento ou viver \u00e0 custa de um homem da fam\u00edlia \u2013 no caso da autora, seu irm\u00e3o. Dentro de uma sociedade em que a mulher n\u00e3o tem muito poder de escolha e precisa do casamento para garantir sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia e posi\u00e7\u00e3o social, \u00e9 admir\u00e1vel, de fato, que a autora tenha escolhido n\u00e3o se casar para seguir uma carreira liter\u00e1ria. Dados biogr\u00e1ficos confi\u00e1veis s\u00e3o escassos, embora o n\u00famero de obras biogr\u00e1ficas escritas sobre ela chegue a v\u00e1rias dezenas. H\u00e1 uma fonte bastante importante de dados sobre a autora: uma cole\u00e7\u00e3o de cartas enviadas \u00e0 sua irm\u00e3 Cassandra, posteriormente publicadas. Creio que a partir das cartas podemos concluir alguns fatos que certamente influenciaram sua decis\u00e3o. O principal est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o recebida. O pai de Jane Austen n\u00e3o era um homem r\u00edgido no sentido mais restrito e incentivava entre os filhos o h\u00e1bito da leitura. Jane Austen era uma grande leitora, era culta e tinha um senso cr\u00edtico bastante desenvolvido. Sua escrita de fic\u00e7\u00e3o foi desde muito cedo incentivada pelos familiares e creio que sua paix\u00e3o pela literatura e seu talento foram decisivos para que ela n\u00e3o optasse pelo casamento, o que significaria o abandono da escrita. Jane Austen \u00e9 comumente citada como a segunda autora mais importante de l\u00edngua inglesa, abaixo apenas de Shakespeare. O que a distingue entre outros grandes nomes daquela literatura?<\/p>\n<p>Shakespeare extrapolou as barreiras do tempo e do espa\u00e7o geogr\u00e1fico. A proje\u00e7\u00e3o mundial de Austen \u00e9 bem menor. No Brasil, apenas mais recentemente nota-se um interesse maior por suas obras e adv\u00e9m do p\u00fablico que toma contato pelo cinema. Talvez isso se deva a desinteresse de editoras em traduzir e publicar os romances aqui. Em pa\u00edses de l\u00edngua inglesa, contudo, de fato, ela \u00e9 considerada a segunda autora mais importante e um reflexo disso s\u00e3o os mais de 300 livros que j\u00e1 foram escritos sobre ela e sobre seus romances. Austen foi a precursora do discurso indireto livre. Al\u00e9m disso, ela une em sua forma narrativa as caracter\u00edsticas de duas vertentes do romance do s\u00e9culo 18: Os romances de Samuel Richardon eram epistolares, ou seja, eram escritos em forma de cartas, priorizavam o espa\u00e7o dom\u00e9stico e apresentavam maior adensamento psicol\u00f3gico. J\u00e1 Henry Fielding inaugura um estilo em o leitor se familiarizaria com a interioridade da personagem atrav\u00e9s de suas a\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que a caracteriza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais superficial. Jane Austen funde estas duas correntes do romance ingl\u00eas em sua obra e cria um novo modo de narrar, dando um passo adiante na hist\u00f3ria do g\u00eanero e abrindo as portas para que o romance passasse pelas mudan\u00e7as por que passou no s\u00e9culo 19.&#8221;<\/p>\n<p>GAZETA DO POVO (PR)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Entrevista com a professora e mestre com disserta\u00e7\u00e3o sobre a obra de Jane Austen, Renata Colasante Em suas tentativas de encontrar tradu\u00e7\u00f5es para o portugu\u00eas que servissem de fonte ao trabalho de mestrado intitulado A Leitura e os Leitores em Jane Austen, defendido em 2006 pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a professora Renata Colasante&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[49],"tags":[],"class_list":{"0":"post-707","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"hentry","6":"category-49","8":"description-off"},"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=707"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/707\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":708,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/707\/revisions\/708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}