{"id":753,"date":"2022-02-11T10:51:10","date_gmt":"2022-02-11T13:51:10","guid":{"rendered":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/?p=753"},"modified":"2022-04-18T15:03:42","modified_gmt":"2022-04-18T18:03:42","slug":"20-04-2008-uma-defesa-da-poesia-e-outros-ensaios-na-gazeta-de-vitoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/2022\/02\/11\/20-04-2008-uma-defesa-da-poesia-e-outros-ensaios-na-gazeta-de-vitoria\/","title":{"rendered":"20\/04\/2008 &#8211; UMA DEFESA DA POESIA E OUTROS ENSAIOS N&#8221;A GAZETA DE VIT\u00d3RIA"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Pensamentos filos\u00f3ficos<\/p>\n<p>TIAGO ZANOLI &#8211; tgarcia@ redegazeta.com.br<\/p>\n<p>Um dos principais representantes do romantismo brit\u00e2nico, Percy Bysshe Shelley (1792-1822) figura entre os maiores poetas de l\u00edngua inglesa, como os seus contempor\u00e2neos John Keats e Lord Byron \u2013 dos quais foi amigo. Apesar de sua import\u00e2ncia, Shelley \u00e9 pouco conhecido no Brasil e quase n\u00e3o h\u00e1 tradu\u00e7\u00f5es de sua obra.<\/p>\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio deste ano, apenas dois trabalhos seus haviam sido lan\u00e7ados por editoras brasileiras: \u201cO Triunfo da Vida\u201d, \u00faltimo e inacabado poema de Shelley, publicado em edi\u00e7\u00e3o bil\u00edng\u00fce pela Rocco, em 2001; e o ensaio \u201cUma Defesa da Poesia\u201d, pela Iluminuras, em 2002.<\/p>\n<p>Esse mesmo ensaio, ao lado de outros nove (at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9ditos por aqui), retornou \u00e0s livrarias em nova edi\u00e7\u00e3o bil\u00edng\u00fce, pela Landmark. \u201cUma Defesa da Poesia e Outros Ensaios\u201d re\u00fane textos que Shelley produziu entre 1811 e 1821. Os escritos, por\u00e9m, s\u00f3 foram publicados 18 anos ap\u00f3s sua morte, por sua esposa, Mary Shelley \u2013 autora do c\u00e9lebre \u201cFrankenstein\u201d (1818).<\/p>\n<p>Parte dos textos levanta quest\u00f5es filos\u00f3ficas, nas quais Shelley discorre sobre temas como o amor, a vida, a pena de morte, a moral e o ate\u00edsmo. Outros debatem acerca das artes, da literatura e, claro, da poesia.<\/p>\n<p>REA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>O ensaio que d\u00e1 t\u00edtulo ao livro foi uma rea\u00e7\u00e3o ao artigo \u201cThe Four Ages of Poetry\u201d (1820), escrito em tom de s\u00e1tira por seu amigo Thomas Love Peacock. Este desqualificou a fun\u00e7\u00e3o da poesia na sociedade e apontou os poetas contempor\u00e2neos como \u201csemi-b\u00e1rbaros numa era civilizada\u201d.<\/p>\n<p>Sentindo-se pessoalmente atingido pelo texto de Peacock, Percy Shelley escreveu \u201cUma Defesa da Poesia\u201d entre fevereiro e mar\u00e7o de 1821, a fim de publicar o ensaio no mesmo peri\u00f3dico em que saiu \u201cThe Four Ages of Poetry\u201d \u2013 o que acabou n\u00e3o acontecendo. Apenas em 1840 o texto foi publicado, postumamente, pela vi\u00fava Mary Shelley, ent\u00e3o respons\u00e1vel pela obra do marido.<\/p>\n<p>Em sua defesa, Shelley argumenta, por exemplo, que os poetas s\u00e3o t\u00e3o capazes de perceber e ensinar a verdade das coisas quanto aqueles que omitiram o emprego das formas po\u00e9ticas. Para ele, Shakespeare, Dante e Milton \u201cs\u00e3o fil\u00f3sofos do mais sublime poder\u201d. E acrescenta: \u201cUm poema \u00e9 a pr\u00f3pria imagem da vida, expressa em sua verdade eterna\u201d.<\/p>\n<p>O poema, segundo ele, est\u00e1 sempre acompanhado do prazer e \u201cergue o v\u00e9u da beleza oculta do mundo\u201d. \u201cA poesia sempre transmite todo o prazer que os homens s\u00e3o capazes de receber; \u00e9 sempre, ainda, o raio de vida; a fonte de tudo o que \u00e9 belo ou generoso ou real que pode haver em tempos ruins\u201d, escreve.<\/p>\n<p>Dos dez ensaios que integram o presente volume, destaca-se tamb\u00e9m \u201cA Necessidade do Ate\u00edsmo\u201d, cap\u00edtulo que encerra o livro, n\u00e3o somente por seu conte\u00fado, mas pelo contexto em que se insere. Esse tratado foi publicado anonimamente por Shelley, em 1811, quando era aluno da Universidade de Oxford, na Inglaterra. Na \u00e9poca, ele enviou uma c\u00f3pia desse escrito sobre o ate\u00edsmo em forma de panfleto a cada um dos diretores das faculdades de Oxford.<\/p>\n<p>EXPULS\u00c3O<\/p>\n<p>O conte\u00fado chocou a administra\u00e7\u00e3o da universidade. Em 25 de mar\u00e7o de 1811, Shelley, junto com seu amigo Thomas Jefferson Hogg \u2013 colaborador do panfleto \u2013 acabou expulso da institui\u00e7\u00e3o por se recusar a negar a autoria do texto. Em 1813, o autor publicou uma vers\u00e3o revista e ampliada, na qual se baseia a tradu\u00e7\u00e3o que consta nessa edi\u00e7\u00e3o lan\u00e7ada pela Landmark.<\/p>\n<p>Desafiador, Shelley escreve: \u201cDeus \u00e9 uma hip\u00f3tese e, como tal, permanece na necessidade de prova: o \u00f4nus da prova permanece com os te\u00edstas.\u201d Ele argumenta que \u201ca supersti\u00e7\u00e3o destr\u00f3i a tudo e ergue-se como o tirano sobre a compreens\u00e3o do homem\u201d. Sendo assim, acrescenta o autor, o ate\u00edsmo \u201ctorna o homem mais esclarecido\u201d.<\/p>\n<p>Percy Shelley viveu seus \u00faltimos quatro anos na It\u00e1lia. Morreu pouco antes de completar 30 anos. No dia 8 de julho de 1822, em companhia de um amigo, saiu em um pequeno barco para navegar nas \u00e1guas do mar L\u00edgure \u2013 parte do mar Mediterr\u00e2neo localizada entre a Riviera Italiana e as ilhas de C\u00f3rsega e Elba. L\u00e1, naufragou durante uma tormenta e afogou-se.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca de sua morte, o jornal ingl\u00eas \u201cThe Courier\u201d chegou a comentar que, finalmente, Shelley poderia comprovar se Deus existia ou n\u00e3o. Em resposta ao peri\u00f3dico, Lord Byron endere\u00e7ou uma correspond\u00eancia ao editor, John Murray, dizendo: \u201cVoc\u00eas est\u00e3o completa e brutalmente enganados sobre Shelley, que foi sem exce\u00e7\u00e3o o melhor e menos ego\u00edsta dos homens que j\u00e1 conheci\u201d.&#8221;A GAZETA DE VIT\u00d3RIA (ES)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Pensamentos filos\u00f3ficos TIAGO ZANOLI &#8211; tgarcia@ redegazeta.com.br Um dos principais representantes do romantismo brit\u00e2nico, Percy Bysshe Shelley (1792-1822) figura entre os maiores poetas de l\u00edngua inglesa, como os seus contempor\u00e2neos John Keats e Lord Byron \u2013 dos quais foi amigo. Apesar de sua import\u00e2ncia, Shelley \u00e9 pouco conhecido no Brasil e quase n\u00e3o h\u00e1 tradu\u00e7\u00f5es&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[49],"tags":[],"class_list":{"0":"post-753","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"hentry","6":"category-49","8":"description-off"},"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/753","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=753"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/753\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":754,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/753\/revisions\/754"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=753"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=753"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=753"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}