{"id":886,"date":"2022-02-14T10:06:31","date_gmt":"2022-02-14T13:06:31","guid":{"rendered":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/?p=886"},"modified":"2022-02-14T10:06:31","modified_gmt":"2022-02-14T13:06:31","slug":"04-05-2009-talvez-eu-nao-tenha-vivido-em-vao-no-jornal-gazeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/2022\/02\/14\/04-05-2009-talvez-eu-nao-tenha-vivido-em-vao-no-jornal-gazeta\/","title":{"rendered":"04\/05\/2009 &#8211; TALVEZ EU N\u00c3O TENHA VIVIDO EM V\u00c3O NO JORNAL GAZETA"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Tiago Zanoli<\/p>\n<p>tgarcia@redegazeta.com.br<\/p>\n<p>Em seu leito de morte, o magnata da imprensa norte-americana Charles Foster Kane balbucia uma \u00faltima palavra: &#8220;&#8221;Rosebud&#8221;&#8221;. O nome pronunciado pelo protagonista de &#8220;&#8221;Cidad\u00e3o Kane&#8221;&#8221; (1941), filme de Orson Welles considerado uma obra-prima do cinema, desperta a curiosidade dos jornalistas que pretendem documentar a vida do personagem. Ap\u00f3s a morte do exc\u00eantrico milion\u00e1rio, que nunca hesitou em esbanjar sua fortuna, todos ficam intrigados por ele s\u00f3 pensar em algo chamado Rosebud, ao dar o \u00faltimo suspiro.<\/p>\n<p>Como na fic\u00e7\u00e3o, \u00e9 imenso o interesse das pessoas pelos derradeiros momentos de personalidades que deixaram seus nomes marcados na hist\u00f3ria. Por fasc\u00ednio ou mera curiosidade muitos querem conhecer as \u00faltimas palavras de grandes l\u00edderes, cientistas, artistas e pensadores. O livro &#8220;&#8221;Talvez Eu N\u00e3o Tenha Vivido em V\u00e3o&#8230;&#8221;&#8221;, organizado pelo diretor editorial da Landmark, Fabio Cyrino, apresenta um registro do que disseram algumas figuras c\u00e9lebres.<\/p>\n<p>&#8220;&#8221;O registro das \u00faltimas manifesta\u00e7\u00f5es proferidas por l\u00edderes, reis e estadistas frequentemente \u00e9 coletado por aqueles que os acompanhavam em suas horas finais, em virtude da notoriedade de suas vidas, e, em alguns casos, essa mesma notoriedade acaba por produzir um efeito curioso, ou seja, a cria\u00e7\u00e3o de \u00faltimas palavras fantasiosas ou que n\u00e3o correspondam precisamente ao que o moribundo realmente expressou em seu \u00faltimo momento&#8221;&#8221;, escreve Cyrino, na introdu\u00e7\u00e3o do livro.<\/p>\n<p>A fim de evitar equ\u00edvocos, a obra baseia-se em registros devidamente comprovados por biografias, estudos e trabalhos acad\u00eamicos, &#8220;&#8221;al\u00e9m de ferramentas eletr\u00f4nicas de pesquisa que forne\u00e7am as devidas fontes e origens de suas declara\u00e7\u00f5es&#8221;&#8221;.<\/p>\n<p>Entre os personagens que preenchem as p\u00e1ginas do livro, figuram Sidarta Gautama, S\u00f3crates, J\u00falio C\u00e9sar, Friedrich Nietzsche, Oscar Wilde, Charles Chaplin, Humphrey Bogart, \u00c9dith Piaf, Tiradentes, Machado de Assis, Get\u00falio Vargas, Olavo Bilac e Ruy Barbosa. Todas as frases s\u00e3o acompanhadas de dados biogr\u00e1ficos, contexto hist\u00f3rico e curiosidades.<\/p>\n<p>Vers\u00f5es<\/p>\n<p>Muitas das declara\u00e7\u00f5es contidas em &#8220;&#8221;Talvez Eu N\u00e3o Tenha Vivido em V\u00e3o&#8230;&#8221;&#8221; apresentam mais de uma vers\u00e3o \u2013 algumas mais aceitas do que outras, embora nunca comprovadas. \u00c9 o caso das palavras finais de Jesus Cristo, que possui tr\u00eas registros (todos constam dos quatro evangelhos can\u00f4nicos): &#8220;&#8221;Pai, em tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito&#8221;&#8221;; &#8220;&#8221;Tudo est\u00e1 consumado&#8221;&#8221;; e &#8220;&#8221;Eloi, Eloi, lam\u00e1 sabact\u00e2ni&#8221;&#8221; (Deus, Deus meu, por que me desamparaste?).<\/p>\n<p>O livro tamb\u00e9m registra as controv\u00e9rsias em torno das \u00faltimas palavras de Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes. H\u00e1 quem diga que, ao subir os degraus da forca, ele teria dito ao carrasco: &#8220;&#8221;Seja r\u00e1pido&#8221;&#8221;. Outras fontes indicam: &#8220;&#8221;Se dez vidas eu tivesse, dez vidas eu daria para salvar a deles!&#8221;&#8221; \u2013 que, na verdade, foram proferidas durante a leitura de sua senten\u00e7a de condena\u00e7\u00e3o. A vers\u00e3o mais aceita \u00e9: &#8220;&#8221;Cumpri minha palavra! Morro pela liberdade!&#8221;&#8221;.<\/p>\n<p>Aud\u00e1cia<\/p>\n<p>Ousado foi o pirata John Rackam (1682-1720), mais conhecido como Calico Jack. Ele e grande parte de sua tripula\u00e7\u00e3o foram presos e condenados \u00e0 morte. Quando o juiz lhe perguntou se tinha algo a dizer antes de ser executado, Jack respondeu: &#8220;&#8221;Quem voc\u00ea pensa que \u00e9? Por acaso voc\u00ea \u00e9 Deus para ter o direito de decidir o meu destino e de meus homens? Pegue suas palavras pomposas e as enfie no lugar de seu corpo onde o sol jamais bate. Encontro voc\u00ea em outra vida. Adeus&#8221;&#8221;.<\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo Voltaire (1694-1778), cujo verdadeiro nome foi Fran\u00e7ois-Marie Arouet, proferiu em seu leito de morte: &#8220;&#8221;Meu bom homem, esta n\u00e3o \u00e9 uma boa hora para se fazer inimigos&#8221;&#8221;. A palavras foram ditas quando um padre solicitou-lhe que renegasse o dem\u00f4nio.<\/p>\n<p>C\u00e9lebres tamb\u00e9m s\u00e3o as palavras escritas pelo ex-presidente Get\u00falio Vargas (1882-1954), em sua carta-suic\u00eddio: &#8220;&#8221;Eu vos dei a minha vida, agora vos ofere\u00e7o a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na hist\u00f3ria&#8221;&#8221;. Na madrugada de 23 para 24 de agosto de 1954, ele se suicidou com um tiro no cora\u00e7\u00e3o. A medida extrema foi provocada por uma crise no governo, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de protestos populares liderados pelo jornalista Carlos Lacerda, al\u00e9m da press\u00e3o da imprensa e dos militares para que Get\u00falio renunciasse \u00e0 presid\u00eancia.<\/p>\n<p>J\u00e1 a frase que d\u00e1 t\u00edtulo ao livro, &#8220;&#8221;Talvez eu n\u00e3o tenha vivido em v\u00e3o&#8230;&#8221;&#8221;, foi dita pelo astr\u00f4nomo Tycho Brahe (1546-1681), que viveu \u00e0 \u00e9poca anterior \u00e0 inven\u00e7\u00e3o do telesc\u00f3pio. Suas observa\u00e7\u00f5es da posi\u00e7\u00e3o das estrelas e dos planetas alcan\u00e7aram uma precis\u00e3o sem igual para o seu tempo, contribuindo para as descobertas posteriores de Johannes Kepler (1571-1630) e Galileu Galilei (1564-1642). Ap\u00f3s sofrer de uma grave infec\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria, que causou o rompimento de sua bexiga, Brahe agonizou durante 11 dias, at\u00e9 morrer, cercado por seus experimentos e seus auxiliares.<\/p>\n<p>&#8220;&#8221;Nasci em um quarto de hotel e, com os diabos, agora tamb\u00e9m morro em um!&#8221;&#8221;<\/p>\n<p>Eugene O\u2019Neill<\/p>\n<p>Escritor e dramaturgo<\/p>\n<p>&#8220;&#8221;Todas as grandes bobagens que voc\u00ea faz na vida, nesta vida \u00e9 que pagamos&#8221;&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9dith Piaf<\/p>\n<p>Cantora e atriz<\/p>\n<p>&#8220;&#8221;Eu nunca deveria ter trocado o scotch por martinis&#8221;&#8221;<\/p>\n<p>Humphrey Bogart<\/p>\n<p>Ator<\/p>\n<p>&#8220;&#8221;O gosto da morte est\u00e1 sobre os meus l\u00e1bios&#8230; Sinto o gosto de algo que n\u00e3o \u00e9 deste mundo&#8221;&#8221;<\/p>\n<p>Wolfgang Amadeus Mozart<\/p>\n<p>Compositor<\/p>\n<p>&#8220;&#8221;Se realmente existe um Deus vivo, sou o mais miser\u00e1vel dos homens&#8221;&#8221;<\/p>\n<p>Friedrich Nietzsche<\/p>\n<p>Fil\u00f3sofo<\/p>\n<p>Confira<\/p>\n<p>Fabio Cyrino (org.)<\/p>\n<p>Talvez Eu N\u00e3o Tenha Vivido em V\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Landmark 240 p\u00e1ginas<\/p>\n<p>Quanto: R$ 34, em m\u00e9dia<\/p>\n<p>&#8220;JORNAL GAZETA DE VIT\u00d3RIA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Tiago Zanoli tgarcia@redegazeta.com.br Em seu leito de morte, o magnata da imprensa norte-americana Charles Foster Kane balbucia uma \u00faltima palavra: &#8220;&#8221;Rosebud&#8221;&#8221;. O nome pronunciado pelo protagonista de &#8220;&#8221;Cidad\u00e3o Kane&#8221;&#8221; (1941), filme de Orson Welles considerado uma obra-prima do cinema, desperta a curiosidade dos jornalistas que pretendem documentar a vida do personagem. Ap\u00f3s a morte do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[50],"tags":[],"class_list":{"0":"post-886","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"hentry","6":"category-50","8":"description-off"},"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=886"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/886\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":887,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/886\/revisions\/887"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/editoralandmark.com.br\/v2.0\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}